Neurologista - Dr. Willian Rezende

Diagnóstico Clínico e Sintomas da Doença de Parkinson


A Doença de Parkinson (DP) é considerada a segunda doença neurodegenerativa mais frequente na população idosa, com incidência variando de 410 a 529 casos por 100.000 pessoas em indivíduos acima de 55 anos e na população geral, de 1,5 a 22 casos por 100.000 pessoas.

Primeiramente descrita em 1817 por James Parkinson no livro Essay on the Shaking Palsy, foi denominada “paralisia agitante” devido à tendência para inclinação anterior do tronco e cabeça, marcha em bloco, lentidão, diminuição dos movimentos e tremor de repouso. Também foi registrado neste livro os sinais e sintomas neurovegetativos e a preservação “dos sentidos e do intelecto”.

Em relação à palavra “intelecto”, é provável que James Parkinson tenha se referido à cognição, considerando a ausência de deficiência intelectual nesses pacientes. A demência só começou a ser relatada como uma complicação da DP após a década de 1850.

Diagnóstico da doença de Parkinson

Atualmente, a DP é considerada doença multissistêmica que acomete sistemas motores e não motores. Por este motivo, o diagnóstico da DP idiopática baseia-se, inicialmente, na história clínica do doente, achados do exame clínico geral e neurológico e evolução clínica da doença, combinados ao resultado dos exames de sangue e de neuroimagem, como o doppler transcraniano.

Para fechar o diagnóstico, recomenda-se que a bradicinesia esteja presente, além de pelo menos um dos seguintes achados: tremor de repouso, rigidez plástica ou instabilidade postural. Também deve haver exclusão de causas secundárias de parkinsonismo, uma condição em que o paciente apresenta alguns dos sintomas da doença de Parkinson, mas não têm a própria doença, e apresente resposta terapêutica à levodopa.

É importante que o neurologista saiba quem tem alguma doença da família das doenças Parkinsonianas, que não é somente a doença de Parkinson, tais como a Demência com Corpos de Lewy, paralisia supranuclear progressiva, atrofia de múltiplos sistemas, degeneração ganglionar córtico-basal, doença de Wilson, intoxicação medicamentosa, dentre várias outras doenças que fazem parte do diagnóstico diferencial da doença de Parkinson.

Sintomas não motores na doença de Parkinson

Os sintomas não motores da DP estão presentes desde o início da doença, geralmente se agravando com o tempo. Estes sintomas são atualmente muito valorizados na prática clínica, pois podem reforçar o diagnóstico da DP e causam grande prejuízo à qualidade de vida do paciente.

Comumente, a pessoa com Parkinson apresenta constipação, transtornos de humor, como a depressão, ansiedade e distúrbios do sono, principalmente alterações do ciclo circadiano e transtorno comportamental do sono REM. Estes sintomas não motores podem ocorrer antes mesmo das anormalidades motoras clássicas.

Dores, alucinações visuais, alterações urinárias e neurovegetativas, acometimento cognitivo, e dificuldade de deglutição são sintomas que aparecem nos estágios tardios da doença, dificultando a socialização deste paciente, que passa a isolar-se cada vem mais, agravando até mesmo os sintomas depressivos.

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Novas Tecnologias para Auxiliar no Diagnóstico

Estão sendo desenvolvidas novas tecnologias para identificar quando os sintomas são relativos à doença de Parkinson ou aos distúrbios parkinsonianos atípicos, através de um exame de sangue.

Para saber mais sobre o assunto, leia o artigo “Novo exame para diagnóstico de Parkinson“.

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