Neurologista - Dr. Willian Rezende

Novo exame para diagnóstico de Parkinson


Os problemas de saúde que envolvem a morte de neurônios é um grande desafio para a medicina. Muitos estudos estão sendo realizados com o objetivo de possibilitar o diagnóstico de Parkinson precocemente, indispensável para atrasar a progressão da doença.

Neste artigo, vamos conhecer duas tecnologias que estão sendo desenvolvidas para identificar quando os sintomas são relativos à doença de Parkinson ou aos distúrbios parkinsonianos atípicos, e também para facilitar o diagnóstico do mal de Alzheimer, ambas através de um exame de sangue.

Validando um novo biomarcador para o diagnóstico de Parkinson

No estudo publicado na respeitada Neurology, mostra que quando as células cerebrais morrem, é liberada na corrente sanguínea uma proteína chamada Neurofilamento de Cadeia Leve, que faz parte da estrutura dessas células.

Até o momento, sabíamos que era possível encontrar essa proteína analisando o fluído cefalorraquidiano. Com um estudo publicado na versão online da Revista Neurology, da Academia Americana de Neurologia, descobrimos que essa proteína também pode ser encontrada na corrente sanguínea, na mesma concentração que a detectada no líquor.

Esta tecnologia pode fornecer resultados tão precisos quanto a análise do fluído cerebrospinal para determinar, ainda na fase inicial, se os sintomas são causados pela doença de Parkinson ou por distúrbios parkinsonianos atípicos. O que permite o diagnóstico de Parkinson.

Conhecendo os Distúrbios Parkinsonianos Atípicos

Também chamados de Parkinsonismo ou de Síndrome Parkinsoniana, não se trata de uma enfermidade, e sim de um conjunto de patologias neurológicas com sintomas semelhantes à doença de Parkinson, que possuem causas diferentes e tratamentos específicos.

Existe a possibilidade de interpretação desses sintomas como sendo da doença de Parkinson, pela sua semelhança, principalmente no início da patologia, como os seguintes: tremor em repouso, rigidez muscular, dificuldade e lentidão dos movimentos, postura curvada e comprometimento do equilíbrio.

O diagnóstico de Parkinson ou Parkinsonismo atípico precoce é importante, pois o tratamento é realizado de forma diferente, e alcança melhores resultados quando iniciado rapidamente.

Como o estudo foi conduzido

Foram examinadas 504 pessoas, sendo que 244 já possuem o diagnóstico de Parkinson, 181 possuem distúrbios parkinsonianos atípicos e 79 são saudáveis. Essas pessoas foram divididas em três grupos, utilizando como critério o tempo de convívio com a doença.

Dois grupos tinham pessoas saudáveis e doentes com Parkinson ou distúrbios parkinsonianos atípicos há pelo menos quatro anos. No terceiro grupo, as pessoas possuíam a doença há no máximo três anos.

A proteína alvo deste estudo foi encontrada no sangue das pessoas com Parkinson ou distúrbios parkinsonianos atípicos, mesmo na fase inicial da doença ou convivendo com a patologia há mais tempo.

A concentração sanguínea da proteína foi maior nas pessoas com distúrbios parkinsonianos atípicos e menor nas pessoas saudáveis e com Parkinson.

O neurologista Oskar Hansson, um dos autores do estudo, explica que “as baixas concentrações da proteína no sangue dos doentes com Parkinson pode ser devido a uma menor lesão das fibras nervosas, quando comparada com as de pessoas com distúrbios parkinsonianos atípicos”.

Um novo biomarcador, também para Alzheimer

A detecção de uma proteína no sangue também pode colaborar para o diagnóstico precoce do mal de Alzheimer. Esta tecnologia foi desenvolvida aqui mesmo no Brasil, pelos pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos.

Eles criaram um sensor eletroquímico com anticorpos que identificam a concentração sanguínea da proteína Adam10. Alterações significativas nessa proteína podem indicar a presença de Alzheimer.

Além do baixo custo para a realização deste exame, o diagnóstico precoce oferece inúmeros benefícios, pois o paciente pode iniciar alterações na sua qualidade de vida, como a prática de atividades físicas e o estímulo cerebral, para adiar o aparecimento da doença. A previsão para a chegada deste teste no mercado é de, em média 5 anos.

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