Neurologista - Dr. Willian Rezende

200 anos da doença de Parkinson


No dia 11 de abril de 2017 , comemoramos 200 anos da doença de Parkinson. Mas em 2017, a celebração é especial, pois também se completam 200 anos da primeira descrição da doença, feita por James Parkinson, que a nomeou inicialmente de “paralisia agitante”.

A doença só recebeu o nome do seu descobridor anos mais tarde, quando Dr. Jean Martin Chacot, renomado neurologista francês, continuou os estudos de James Parkinson e alcançou avanços no diagnóstico.

Apesar dos 200 anos da doença de Parkinson, ainda não descobrimos a cura para a doença, mas já alcançamos grandes avanços no tratamento. Para avaliar os avanços científicos em relação à melhora na vida dos parkinsonianos, a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) lançou nesta semana a “Campanha Nacional da Doença de Parkinson – 200 anos de história e conhecimento”. E nós queremos compartilhar com você algumas destas conquistas.

Características e histórico

A doença de Parkinson é causada pela degeneração das células cerebrais localizadas na substância negra, a região do cérebro responsável por produzir a dopamina, o neurotransmissor que, entre outras funções, atua no controle da motricidade. A falta de dopamina afeta os movimentos corporais, provocando a lentidão e o tremor.

No entanto, sintomas como dificuldade para realizar movimentos simultâneos, rigidez muscular, lentidão de movimentos, alterações da marcha e do equilíbrio, declínio cognitivo e alterações do sono, depressão e problemas gastrointestinais também podem ocorrer.

No começo do século XX, um cientista percebeu que a substância negra de pessoas com Parkinson estava atrófica e esmaecida. Ao analisar essas células ao microscópio, constatou que estavam em processo de degeneração.

Essa foi a primeira observação científica sobre o mecanismo da doença, e a função dessas células ainda era desconhecida. Em aproximadamente 40 anos, foi descoberto que elas fabricam a dopamina, possibilitando tratamentos cada vez melhores.

Avanços no diagnóstico nos 200 anos da doença de Parkinson

Mesmo com 200 anos da doença de Parkinson, o diagnóstico da doença de Parkinson é feito por exclusão, ou seja, através de exames clínicos e de imagens, e da história clínica do paciente, eliminamos a existência de qualquer outra doença cerebral.

Ainda não temos métodos específicos para identificar a degeneração da substância negra, mas já podemos contar com exames que nos aproximam dessa hipótese diagnóstica.

Com a ultrassonografia transcraniana, por exemplo, podemos constatar a hiperecogenicidade da substância negra, condição presente em 90% dos doentes de Parkinson, e que pode ser observada até mesmo na fase pré-clínica da doença, em indivíduos que apresentam apenas sintomas não motores.

Temos o teste com a cintilografia cerebral com TRODAT que auxilia a detectar o deficit dopaminérgico, tão característico das síndromes Parkinsonianas e mais recentemente também temos a ressonância nuclear magnética de 3 Teslas que permite visualizar o apagamento precoce da nigrossomos da substancia negra, que também está relacionada com a doença de Parkinson.

Além disso, estão sendo desenvolvidas tecnologias para identificar a doença de Parkinson através de exame de sangue. Um estudo publicado na respeitada revista online Neurology descobriu que a presença da proteína Neurofilamento de Cadeia Leve na corrente sanguínea indica a morte das células cerebrais.

Se realizado nas fases iniciais da doença, este teste sanguíneo pode diferenciar a doença de Parkinson dos distúrbios parkinsonianos atípicos, um conjunto de patologias neurológicas com sintomas semelhantes.

Avanços no tratamento nos 200 anos da doença de Parkinson

A descoberta de que a falta de dopamina é a causa da doença de Parkinson possibilitou traçar uma estratégia multidisciplinar para o tratamento, combatendo os sintomas.

O tratamento farmacológico, realizado com a Levodopa ou L-Dopa, que se transforma em dopamina no cérebro, supre parcialmente a falta desse neurotransmissor. Outros medicamentos podem complementar o tratamento, para combater os sintomas e também para melhorar a qualidade de vida do paciente.

Outro aspecto importante do tratamento é a neuroproteção. Até pouco tempo, não era possível impedir a degeneração das células dopaminérgicas. Mas já sabemos que manter hábitos saudáveis e estimular constantemente o cérebro favorecem nossos mecanismos de neuroproteção através da neuroplasticidade. A atividade física é algo que todos nós podemos fazer como medida de prevenção.

200 anos da doença de Parkinson
5 100% 10
Compartilhe:

Deixe um Comentário