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Alterações do Sono no Parkinson – Distúrbio do Sono na Doença de Parkinson

Neurologista - Dr. Willian Rezende do Carmo

Categorias: Conteúdos, Doença de Parkinson

Publicado: 14 de julho de 2026

Doença de Parkinson, apesar de ser comumente relacionada aos seus sintomas motores, é uma condição neurodegenerativa progressiva igualmente marcada por seus sintomas não motores. E, neste conteúdo, são abordadas as Alterações do Sono no Parkinson.

Uma vez que costumam ser observadas nestes pacientes, que passam a ter impacto na qualidade de vida, com dificuldade para alcançar estágios profundos do sono, como o de ondas lentas, em que o cérebro limpa as proteínas anormais e demais substâncias por meio do sistema glinfático.

Principais Distúrbios do Sono na Doença de Parkinson

Devido aos avanços na Medicina, atualmente, sabemos da relação entre as alterações do sono e a Doença de Parkinson, em que a quantidade reduzida do sono de ondas lentas aumenta as chances da pessoa desenvolver demência, o que reforça a importância de reconhecer seus sintomas para buscar a ajuda de um médico especialista em Neurologia, com foco em DP, para receber o diagnóstico e tratamento corretos.

Apneia do Sono

Um dos distúrbios do sono na Doença de Parkinson é a apneia do sono, uma condição comumente observada em pessoas com ou sem DP, especialmente naquelas com idade avançada.

Além disso, o controle motor dos músculos da faringe, glote, diafragma e caixa torácica podem estar comprometidos devido ao Parkinson, o que igualmente aumenta as chances de surgir um quadro de apneia do sono, seja central, obstrutiva ou de hipopneia.

Por essas razões, é natural o médico especialista em Neurologia de sua confiança solicitar uma polissonografia para verificar se apresenta ou não um quadro de apneia do sono, especialmente porque tem tratamento, o que acaba contribuindo para a melhora da qualidade de vida dentro de cada realidade.

Alucinações / Sonhos Vívidos

Assim como também é comum os pacientes parkinsonianos apresentarem alucinações e sonhos vívidos, capazes de causar desconforto e incômodo durante o sonho, tornando a noite desagradável a ponto de preferirem não dormir ou ficarem procurados só em pensar no que pode acontecer, isso devido a uma hipersensibilidade dos receptores dopaminérgicos na região mesolímbica.

Apesar dessas manifestações, são alterações do sono na Doença de Parkinson tratáveis, em que o médico especialista em Neurologia pode recomendar, por exemplo, medicamentos antipsicóticos, a depender do perfil de cada paciente.

Ataques de Sono

Os ataques do sono são outro distúrbio do sono na Doença de Parkinson, manifestando-se subitamente, como um desejo incontrolável de dormir, em que a pessoa ‘apaga’ devido ao sono em excesso, indicando uma possível evolução da doença.

Despertares Noturnos / Sono Fragmentado

Despertar várias vezes ao longo da noite, com uma polissonografia apontando micro despertares, ou ficar muito tempo acordado durante o sono são uma das alterações do sono mais comuns no Parkinson associadas à quantidade e manutenção do sono.

Nestes casos, o sono tende a ser comprometido por dor, insuficiência cardíaca, prostatismo, transtornos de humor (como ansiedade e depressão) e uso de diuréticos, por exemplo.

Assim como tem relação com alterações na transmissão da dopamina e noradrenalina, avanço da idade e mudança esperada da arquitetura do sono devido à própria Doença de Parkinson.

Movimento Periódico dos Membros

O movimento periódico dos membros é outro distúrbio do sono na Doença de Parkinson, em que as pernas do paciente acabam realizando movimentos involuntários enquanto dorme, apresentando pequenos espasmos periodicamente no decorrer da noite.

Noctúria

Entre as alterações do sono no Parkinson também temos a noctúria, considerada uma das mais comuns, em que a pessoa é acordada pelo desejo de urinar. Mas é importante diferenciar: uma vez por noite é considerado normal, enquanto duas vezes ou mais merecem atenção, especialmente conforme o avanço da idade.

Esse tipo de transtorno tende a acontecer por causa da hiperatividade do músculo detrusor da bexiga e quanto menor a carga de dopamina à noite, maior a chance de manifestar-se juntamente com a noctúria.

Síndrome das Pernas Inquietas

Outro distúrbio do sono na Doença de Parkinson é a síndrome das pernas inquietas, em que a pessoa apresenta agonia, inquietação, sensação física desconfortável nos membros inferiores, com melhora ao mover-se (levantar e andar) ou realizar qualquer movimento, até esfregá-los.

Essa é uma sensação que manifesta-se tipicamente próximo a hora de dormir, o que acaba dificultando o início do sono, e conta com tratamento capaz de melhorar a qualidade de vida após a confirmação do diagnóstico e o paciente seguir as devidas recomendações médicas.

Sonolência Diurna

A sonolência diurna é outra das alterações do sono no Parkinson, conhecida por afetar um terço desses pacientes juntamente com os ataques de sono, em que sentem sono durante o dia e uma necessidade frequente e em maior intensidade de dormir.

Isso tende a acontecer por causa do impacto da DP na produção de orexina, a substância responsável por nos manter acordados, e quando está em falta, é capaz de gerar a narcolepsia, também um tipo de distúrbio do sono.

Outro ponto importante em relação à sonolência diurna é a possibilidade de igualmente ser causada pelos medicamentos usados pelos pacientes parkinsonianos ou pelas suas condições comuns, como a exemplo da depressão.

Transtorno de Comportamento do Sono REM

Comumente reconhecido como uma das alterações do sono no Parkinson mais icônicas, justamente por indicar sua suspeita diagnóstica, o transtorno de comportamento do sono REM é caracterizado por chutes, movimentos bruscos, das mãos e dos braços, e socos durante este estágio do sono.

Transtornos da Regulação da Sudorese

Igualmente pode manifestar-se suor na Doença de Parkinson, uma vez que transtornos da regulação da sudorese tendem a surgir como algo do espectro da disautonomia desse tipo de quadro.

E nesse caso, o suor pode acontecer tanto em falta quanto em excesso, e ambas situações são consideradas incômodas, sendo a primeira uma das queixas mais comuns, com uma sudorese excessiva durante a noite em pacientes com Parkinson.

Logo, diante da possibilidade de os sintomas não motores igualmente poderem manifestar-se na Doença de Parkinson, inclusive os Distúrbios do Sono, é imprescindível agendar uma consulta com o médico especialista em Neurologia de sua confiança para que o diagnóstico seja confirmado e o melhor plano seja criado para o seu caso, visando seu bem-estar e melhora na qualidade de vida.

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Doença de Parkinson

A doença de Parkinson é uma condição neurológica crônica e progressiva, resultante da degeneração das células responsáveis pela produção de dopamina, um neurotransmissor que controla os movimentos, entre outras funções. Seus sintomas costumam afetar o movimento, e o diagnóstico é feito com base no histórico do paciente, avaliação dos sintomas e alguns exames. O tratamento deve ser individualizado, e comumente exige uma abordagem interdisciplinar.

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