Neurologista - Dr. Willian Rezende

Entenda o Perigo dos Remédios para Dormir


Os distúrbios do sono e a má qualidade do sono são problemas cada vez mais comuns em nossa sociedade. Este tema é extremamente importante, embora seja muito pouco abordado. A insônia é considerada uma doença expressivamente prevalente em nosso país: de 30 a 40% dos brasileiros sofre com algum grau de insônia, cuja gravidade pode variar entre leve, moderada e grave.

Perigo dos Remédios para Dormir

Ao se deparar com dificuldades para dormir, há pessoas que fazem uso indevido de remédios para dormir, com o intuito de pegar no sono mais rápido. Porém, esta prática pode representar riscos à saúde das pessoas. A automedicação é uma prática muito comum entre as pessoas que sofrem com este distúrbio.

A prática é feita através da renovação de receitas sem acompanhamento médico adequado, compra de medicamentos que não dispõem de receita médica, ou até mesmo através da compra irregular de receitas. No entanto, muitas pessoas não sabem que até os remédios que são vendidos sem receita podem apresentar riscos, quando utilizados de forma inadequada.

Os medicamentos anti histamínicos (como o Polaramine ou Fenergan), antivertiginosos e antinauseantes (como o Dramin ou Plasil) são frequentemente utilizados por pessoas com distúrbios do sono. Há quem acredite que estes medicamentos podem ser utilizados com o intuito de tratar a insônia, mas, na realidade, eles podem acarretar consequências negativas para o paciente.

Consequências do Uso de Remédios para Dormir

Isso é explicado pois, embora esses remédios possam provocar o sono durante a noite, eles também têm outros efeitos negativos no dia seguinte, que incluem: sonolência diurna, dificuldade de atenção e concentração, redução na velocidade do raciocínio e dos reflexos e piora da memória. O uso desses medicamentos promove um sono superficial (fases N1 e N2), mas não é capaz de induzir o sono profundo (N3 e REM).

Embora seja de fácil acesso, o uso de remédios para dormir pode ter impactos negativos, principalmente a longo prazo, como piora cognitiva e risco acentuado de acidentes, devido aos fatores citados anteriormente.

Os analgésicos e relaxantes musculares (como Dorflex, Tandrilax e lisadores) também são utilizados indevidamente para induzir o sono. O uso abusivo de analgésicos pode ter consequências que podem levar à dependência. Isso ocorre pois a pessoa desenvolve uma sensibilidade muito grande para a dor, apresentando dores muito facilmente quando fica sem tomar o analgésico.

A renovação ou compra de receitas é uma prática muito comum, principalmente no que diz respeito às receitas azuis, que são os medicamentos de tarja preta (como rivotril, clonazepam, midazolam, valium, alprazolam, etc). Estes remédios ajudam a induzir o sono, pois reduzem o estado de ansiedade.

Os medicamentos citados podem e são utilizados para o tratamento de distúrbios do sono, porém, somente por tempo determinado e com acompanhamento médico, já que apresentam efeitos colaterais e não têm a função de tratar essas doenças, mas sim reduzir os seus sintomas.

Como Tratar os Distúrbios do Sono

Remédios desse tipo costumam ser muito eficazes no alívio dos sintomas, mas devem ser utilizados por tempo limitado, e após esse tempo devem ser suspensos. Nestes casos, normalmente são indicados dois remédios, sendo que um serve para aliviar os sintomas, e o outro para tratar o distúrbio do sono em si.

Há um grande preconceito quanto ao uso de medicamentos antidepressivos no tratamento dos distúrbios do sono, pois eles apresentam efeitos colaterais (como náuseas, tonturas, mal estar), e podem piorar o quadro do transtorno psíquico no início. Por este motivo, são utilizados remédios sintomáticos (benzodiazepínicos), para que seja possível tratar a doença e melhorar seus sintomas simultaneamente. Após o período determinado pelo médico, o uso dos sintomáticos é suspenso.

Apesar disso, é importante ressaltar que são os antidepressivos que vão tratar o problema a longo prazo. Depois dessa piora que pode ocorrer durante a introdução do remédio, ocorre uma melhora substancial, significativa e sustentada.

Por este motivo, é essencial que as pessoas com distúrbios do sono consultem um profissional de confiança ao invés de optar pela automedicação. Somente um especialista poderá diagnosticar e tratar a doença corretamente, sem causar prejuízos à saúde do paciente.

Se você está encontrando alguma dificuldade no seu sono, clique aqui e faça nosso TESTE GRATUITO DE QUANTIFICAÇÃO DE INSÔNIA.

Avalie essa notícia
Compartilhe:

Deixe um Comentário