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Mal do Desembarque (MD): Compreendendo os Desafios da Tontura Pós-Viagem

Neurologista - Dr. Willian Rezende do Carmo

Categorias: Conteúdos, Neurologia Geral

Publicado: 16 de abril de 2024 | Atualizado: 17 de abril de 2024

Mal do Desembarque. Após uma viagem marítima repleta de aventuras, paisagens deslumbrantes e momentos inesquecíveis, o desembarque traz consigo a promessa de retornar à rotina habitual. No entanto, para alguns viajantes, essa transição não é tão simples quanto pisar em solo firme.

O Mal do Desembarque (MD), também conhecido como Síndrome de Desembarque, é uma condição caracterizada por tontura e desequilíbrio após a conclusão de uma viagem de cruzeiro, avião ou até mesmo de carro.

Enquanto para a maioria das pessoas esses sintomas são passageiros, para aqueles que sofrem com o MD, eles podem persistir por semanas ou até meses, impactando significativamente a qualidade de vida pós-viagem.

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Entendendo o Mal do Desembarque

Embora a causa exata do MD ainda não seja totalmente compreendida, diversas teorias foram propostas para explicar seus mecanismos. Uma das explicações sugere que o sistema vestibular, localizado no ouvido interno, se adapta ao movimento constante do navio durante a viagem. Após o desembarque, essa adaptação não ocorre de forma imediata, levando à sensação de desequilíbrio.

Outra teoria sugere que o MD pode estar relacionado a dores de cabeça incomuns, o que poderia explicar sua maior incidência entre as mulheres. Além disso, a predisposição genética também é considerada um possível fator contribuinte para o desenvolvimento do MD.

Sintomas e Diagnóstico

Os sintomas do MD geralmente incluem uma sensação constante de movimento, semelhante a estar balançando mesmo estando em terra firme. Diferentemente da cinetose, onde os sintomas são experimentados durante a viagem, no MD, eles geralmente se manifestam após o desembarque. O diagnóstico do MD é estabelecido após a exclusão de outras causas de tontura e desequilíbrio.

Gerenciamento e Tratamento do MD

Atualmente, não existe um tratamento padrão para o MD. No entanto, algumas opções farmacológicas têm sido exploradas para ajudar a aliviar os sintomas. Certos antidepressivos e medicamentos para ansiedade têm mostrado alguma eficácia na redução da tontura associada ao MD.

Além disso, a administração de pequenas doses desses medicamentos antes e durante a viagem pode ajudar a prevenir os sintomas do MD em algumas pessoas. No entanto, é importante ressaltar que nem todos os pacientes respondem bem a esses medicamentos, e seu uso deve ser supervisionado por um profissional de saúde.

Intervenções Não Farmacológicas

Além das abordagens farmacológicas, intervenções não medicamentosas também desempenham um papel importante no manejo do MD. Exercícios específicos de habituação e substituição são frequentemente recomendados para ajudar os pacientes a recuperar o equilíbrio e reduzir a tontura.

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Os exercícios de habituação envolvem a repetição controlada de movimentos que desencadeiam a tontura, permitindo que o cérebro se adapte gradualmente a esses estímulos e minimize a resposta do sintoma.

Por outro lado, os exercícios de substituição visam melhorar o equilíbrio, ensinando o corpo a confiar em outros sistemas sensoriais, como a visão e o tato, para compensar a sensação de desequilíbrio.

Desafios Adicionais em Tempos de Pandemia e Infecções a Bordo

Durante a pandemia de COVID-19, as preocupações com a disseminação do vírus em espaços confinados, como cruzeiros, aumentaram. Embora as medidas de segurança tenham sido implementadas para reduzir o risco de infecção a bordo, casos de COVID-19 em cruzeiros ainda foram relatados.

Isso pode ter impacto no MD, uma vez que o estresse e a ansiedade associados à preocupação com a saúde podem aumentar a gravidade dos sintomas em algumas pessoas.

Além disso, é importante considerar a possível relação entre infecções a bordo e o desenvolvimento de MD. Embora não haja evidências conclusivas, é plausível que as infecções virais ou bacterianas durante a viagem possam desencadear ou agravar os sintomas do MD em algumas pessoas, especialmente aquelas com sistema imunológico comprometido.

O Mal do Desembarque é uma condição complexa e desafiadora que afeta algumas pessoas após viagens prolongadas. Embora as causas exatas ainda não sejam totalmente compreendidas, diversas teorias foram propostas.

O tratamento geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar que pode incluir medicamentos e terapia física. Em tempos de COVID-19 ou de doenças virais, é necessário considerar o impacto do estresse e da ansiedade relacionados à pandemia nos sintomas do MD, além da possível relação entre infecções a bordo e o desenvolvimento da condição. Mais pesquisas são necessárias para entender completamente o MD e desenvolver abordagens eficazes de tratamento e prevenção.

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