Neurologista - Dr. Willian Rezende

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Um novo estudo publicado no Congresso de 2017 da European Academy of Neurology apontou um risco aumentado para distúrbios do sono, incluindo insônia e apneia do sono, em pessoas com enxaqueca, especialmente nos casos crônicos. O resumo do artigo está publicado no livro do congresso secção O1109 na página 24 da revista (28 do PDF).

A enxaqueca é uma doença neurológica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Estudos clínicos recentes sugerem que esta pode ser uma doença progressiva, que geralmente está associada com doenças vasculares e/ou problemas como ansiedade e depressão.

A relação bidirecional entre distúrbios do sono e enxaqueca

Até o momento, sabíamos que os distúrbios do sono podem provocar crises de enxaqueca, e que o sono adequado pode aliviá-la em grande parte destes pacientes.

Alguns estudos epidemiológicos já identificaram distúrbios do sono nos pacientes com enxaqueca, dentre eles, insônia, sonolência diurna excessiva, dificuldade para iniciar e manter o sono, fadiga diurna e perturbações do ritmo circadiano. Contudo, esta nova descoberta pode abrir possibilidades no tratamento de ambas as patologias.

Confrontando dados sobre enxaqueca e apneia do sono

Os pesquisadores analisaram os dados de um painel on-line, com respostas de 12.810 participantes, com idade de aproximadamente 42 anos, que completaram pesquisas no início do estudo e a cada três meses, por um ano e meio.

Aproximadamente 75% dos participantes relataram que um médico havia realizado o diagnóstico de apneia do sono e por volta de 35% dos participantes disseram que estavam em uso atual de aparelho de pressão positiva contínua na via aérea (CPAP) ou outro dispositivo ventilatório.

Foram avaliados vários índices de sono, incluindo ronco, sonolência diurna e adequação do sono, de acordo com a Medical Outcomes Study Sleep Scale.

Os resultados da análise

Os pacientes com enxaqueca crônica tiveram pior pontuação em todos os índices: 50% dos participantes com enxaqueca crônica preenchiam os critérios para distúrbio do sono, comparados com 38% daqueles com enxaqueca episódica.

Um maior risco foi verificado nas pessoas com enxaqueca crônica e um índice de massa corporal (IMC) elevado, sendo ainda maior nos participantes obesos, nos quais quase 92% dos homens e 84% das mulheres tinham alto risco de apneia do sono.

Em pacientes com enxaqueca esporádica, essas taxas se elevam um pouco menos, sendo de 11% para os que estão abaixo do peso, 18% para os de peso normal, 35% para sobrepeso e 79% para obesos.

Compreendendo os resultados

O risco para apneia do sono foi avaliado com o uso da Berlin Scale for Sleep Apnea. Na avaliação inicial dessa escala, 37,0% dos respondedores tinham risco elevado para apneia do sono, uma taxa alta, se comparada a estimativas populacionais, que estão em torno de 9%.

Um estudo complementar com uso de polissonografia mostrou que, nesses pacientes com enxaqueca, a apneia do sono central (com causas predominantemente neurológicas) era mais proeminente que a apneia obstrutiva (quando é causada por obstrução respiratória, devido a obesidade, problemas craniofaciais ou outros fatores).

Para este estudo, o resultado da polissonografia é relevante, pois a Berlin Scale for Sleep Apnea não diferencia se a apneia do sono é central ou obstrutiva. É importante dispor desta informação durante o diagnóstico da apneia do sono, pois para um paciente com apneia central, o conselho ‘perca peso e isso vai resolver seu problema de apneia do sono’ nem sempre pode ser eficaz, sendo necessário investigar outras causas, como a enxaqueca.

Agora, o próximo passo é investigar a relação bidirecional entre as cefaleias e a apneia do sono, com a expectativa de que, tratando a apneia do sono, seja possível obter bons resultados no tratamento das cefaleias.

Enxaqueca pode ser fator de risco para apneia do sono
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