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Relação Entre Demência e Medicamentos Controlados

Neurologista - Dr. Willian Rezende do Carmo

Categorias: Conteúdos, Neurologia Geral

Publicado: 20 de fevereiro de 2024

Demência e Medicamentos Controlados. A crescente preocupação com a saúde cognitiva da população da terceira idade está em sintonia com o aumento do consumo de múltiplos medicamentos, especialmente os controlados. Contudo, o entendimento dos potenciais efeitos adversos a longo prazo ainda não esta completo. A dúvida frequente nos consultórios sobre se “remédios controlados podem causar demência” levanta questões cruciais sobre a relação entre o uso desses medicamentos e o desenvolvimento da demência.

Demência e Medicamentos Controlados e Anticolinérgicos

A demência é causada por processos neurodegenerativos que levam a um declínio cognitivo, ainda irreversível, é uma preocupação global de saúde pública. Embora não existam tratamentos reversíveis para a demência, a mudança de estilos de vida e ambiente pode impactar significativamente em seu desenvolvimento. Identificar e reduzir a exposição a fatores de risco, incluindo medicamentos controlados, é vital para a prevenção da demência.

Não é certo generalizar que todos os medicamentos controlados influenciam o desenvolvimento da demência. No entanto, estudos indicam que o uso prolongado de certos medicamentos anticolinérgicos, como amitriptilina, dosulepina e paroxetina, está associado a um risco maior. Além disso, algumas medicações para incontinência urinária e antiparkinsonianos também podem desempenhar um papel nesse processo.

Anticolinérgicos, muito utilizados no tratamento de condições que variam de doença de Parkinson a depressão, foram associados a um maior risco de demência. Estes medicamentos afetam a cognição, levando a diretrizes médicas que sugerem sua evitação entre os idosos. Estudos mostram que a exposição prolongada a esses medicamentos está ligada ao declínio cognitivo e à incidência de demência, especialmente em residentes de casas de repouso.

No entanto, a complexidade da relação entre anticolinérgicos e demência é evidenciada pela dificuldade em determinar se o aumento do risco é específico da ação anticolinérgica ou se está relacionado às condições subjacentes para as quais esses medicamentos foram prescritos. A depressão, muitas vezes tratada com anticolinérgicos, também está associada ao risco aumentado de demência.

Depressão e Demência

A associação entre depressão e demência é evidente, com sintomas depressivos aumentando significativamente o risco de demência. Os mecanismos biológicos que conectam essas condições incluem doença vascular, alterações nos esteroides glicocorticóides, atrofia hipocampal e aumento da deposição de placas beta-amiloides. Embora sejam entidades clínicas distintas, depressão e demência compartilham características comuns, como comprometimento da atenção, memória de trabalho e mudanças nos padrões de sono.

A complexidade dessa relação sugere que a avaliação cuidadosa da prescrição de medicamentos controlados é crucial, especialmente em casos de depressão e demência. Se sinais de declínio cognitivo forem observados durante o uso desses fármacos, a consulta com um neurologista é imperativa para ajustes na prescrição.

Estudos Apontam para um Aumento no Risco de Demência com Anticolinérgicos

Recentemente, estudos têm levantado preocupações sobre o uso de medicamentos anticolinérgicos, sugerindo aumento no risco de demência associado a essa classe de medicamentos. No entanto, é essencial compreender que esses resultados indicam correlação, não uma conexão direta de causa e efeito. A complexidade da relação é enfatizada pela dificuldade em distinguir se o efeito negativo está relacionado à ação anticolinérgica em si ou às condições para as quais esses medicamentos são prescritos.

Anticolinérgicos, que bloqueiam a ação da acetilcolina, podem ser usados no tratamento de diversas condições, incluindo depressão, Parkinson, epilepsia e psicose. No entanto, efeitos colaterais como confusão, problemas de pensamento e memória são associados a esses medicamentos, levando a um apelo à cautela na prescrição, especialmente entre a população mais idosa.

Benzodiazepínicos e o Risco de Demência

A classe dos benzodiazepínicos, frequentemente utilizada no manejo de transtornos como ansiedade e insônia, também levanta preocupações em relação ao risco de demência. O uso indiscriminado e prolongado desses medicamentos pode resultar em efeitos colaterais prejudiciais, incluindo intoxicação, tolerância e dependência.

Estudos apontam para uma possível ligação entre o uso prolongado de benzodiazepínicos e o aumento do risco de demência em idosos. A retirada desses medicamentos deve ser cuidadosa para evitar síndromes de abstinência ou ansiedade de rebote. A necessidade de políticas públicas de saúde para idosos, focadas em alternativas de tratamento que não comprometam a saúde cognitiva, torna-se evidente diante dessas preocupações.

Recomendações

A relação entre demência e medicamentos controlados é intrincada e multifacetada. Os profissionais de saúde devem considerar cuidadosamente os riscos e benefícios ao prescrever medicamentos, especialmente para a população mais idosa. A avaliação regular e o ajuste das prescrições são essenciais para garantir a saúde cognitiva dos pacientes.

Diante das novas evidências, os médicos são instados a considerar opções de tratamento alternativas sempre que possível, especialmente para aqueles propensos ao desenvolvimento de demência. A conscientização sobre os riscos associados a medicamentos anticolinérgicos e benzodiazepínicos é crucial, e a busca por soluções que promovam a qualidade de vida sem comprometer a saúde cognitiva deve ser uma prioridade na abordagem da saúde da população mais velha.

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Artigo Publicado em: 14 de dez de 2018 e Atualizado em: 20 de fev de 2024

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