Neurologista - Dr. Willian Rezende

Relação Entre Demência e Medicamentos Controlados


A população mais velha e de meia-idade está cada vez mais tomando múltiplos medicamentos, mas os potenciais eventos adversos de uso a longo prazo ainda não estão compreendidos em sua totalidade. Por este motivo, a dúvida “remédios controlados podem causar demência” é bem frequente em consultório.

Neste artigo, saiba mais sobre a relação entre demência e medicamentos controlados, quando ela acontece e suas explicações clínicas.

Demência e Medicamentos Controlados – Os Remédios Controlados podem Causar Demência?

A demência é uma das principais causas de incapacidade e morte, sua prevenção é uma prioridade global de saúde pública. Causada por diversos processos neurodegenerativos que contribuem para um declínio cognitivo irreversível, a doença apresenta sintomas associados, como a perda progressiva de independência e o funcionamento diário.

Não existem tratamentos modificadores para demência, mas a mudança de estilos de vida ou ambiente pode levar a uma queda significativa na prevalência de demência. Portanto, identificar e reduzir a exposição a fatores de risco que podem afetar qualquer aspecto da saúde do cérebro a longo prazo é importante para a prevenção da demência e a saúde cognitiva na população.

Nem todos os medicamentos controlados podem influenciar no desenvolvimento de demência. No entanto, o uso a longo prazo de certos medicamentos anticolinérgicos está associado a um maior risco. Alguns antiparkinsonianos e fármacos para incontinência urinária também podem interferir neste processo.

Medicamentos Anticolinérgicos podem Causar Demência?

Anticolinérgicos, como a amitriptilina, a dosulepina e a paroxetina, foram previamente associados a maior risco de demência. Eles são usados para tratar uma variedade de condições, desde doença de Parkinson e perda do controle da bexiga até asma, doença pulmonar obstrutiva crônica e depressão.

Os anticolinérgicos afetam a cognição e diversas diretrizes médicas sugerem que eles devem ser evitados entre idosos. A exposição prolongada a drogas anticolinérgicas tem sido associada ao declínio cognitivo a longo prazo ou à incidência de demência entre residentes em casas de repouso.

No entanto, esses estudos têm sido limitados em sua capacidade de determinar se o aumento do risco é específico para a ação anticolinérgica em si, e se a associação é devida ou não às drogas ou às condições subjacentes para as quais foram prescritas, já que acredita-se que a depressão seja um sintoma precoce de demência.

Depressão não Tratada pode Evoluir para Demência

A depressão é muito comum durante toda a vida e a demência é comum no final da vida. A literatura sugere uma associação entre depressão e demência, e evidências crescentes indicam que o momento da depressão pode ser importante para definir a natureza da associação.

Em particular, depressão ou sintomas depressivos consistentemente mostraram estar associados a um aumento de 2 vezes ou mais no risco de demência.

Os prováveis mecanismos biológicos que ligam a depressão à demência incluem doença vascular, alterações nos esteroides glicocorticoides e atrofia hipocampal, aumento da deposição de placas beta-amiloides, alterações inflamatórias e déficits de fatores de crescimento nervoso.

Além disso, embora a depressão e a demência sejam consideradas entidades clínicas distintas, elas compartilham algumas características comuns, incluindo comprometimento da atenção e da memória de trabalho, mudanças nos padrões de sono e redução da função social e ocupacional.

Como vimos, a relação entre demência e medicamentos controlados é bem complexa. Se você vem observando sinais de declínio cognitivo com a ingestão desses fármacos, procure um médico neurologista, pois a prescrição pode necessitar de alguns ajustes.

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Fonte: https://www.bmj.com/content/361/bmj.k1722

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