Neurologista - Dr. Willian Rezende

Tratamento da Depressão – Os Antidepressivos Funcionam?


Uma nova análise publicada no periódico Molecular Psychiatry tem o objetivo de encerrar a controvérsia sobre a eficácia dos antidepressivos, particularmente os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS), no tratamento da depressão.

Continue a leitura e saiba mais sobre o que gerou esta discussão e como este estudo comprovou a eficácia destes medicamentos.

Tratamento da Depressão

A Hipótese da Ineficácia dos Antidepressivos

Em 2010, um estudo realizado por pesquisadores da University of Pennsylvania e publicado no JAMA, sugeriu que, embora os pacientes com depressão grave possam se beneficiar do tratamento antidepressivo, haveria pouco ou nenhum benefício para aqueles com depressão de leve a moderada, em comparação com os resultados do placebo.

A discussão continuou em 2012, quando o programa de notícias norte-americano 60 Minutes transmitiu um episódio com o psicólogo Irving Kirsch, PhD, diretor-associado do Program in Placebo Studies na Harvard Medical School, em Boston, e autor do livro The New Emperor’s Drugs (As Novas Drogas do Imperador, em tradução livre) no qual afirma não existirem diferenças clínicas na eficácia dos antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina, em comparação com placebo para o tratamento da depressão.

Isto foi seguido de uma declaração da American Psychiatric Association (APA) contestando as alegações. Mesmo assim, houve uma grande repercussão dentro e fora dos Estados Unidos, já que, por um lado, os pacientes recebiam dos médicos a prescrição desses medicamentos, mas por outro lado, liam nos jornais a notícia de que os inibidores seletivos da recaptação da serotonina não são eficazes.

Questionando a visão de que os medicamentos antidepressivos atuam influenciando alguns neurotransmissores cerebrais, esta hipótese sugere que a superioridade dessa classe farmacológica em relação ao placebo em ensaios controlados é meramente uma consequência psicológica dos seus efeitos colaterais, que aumentam a expectativa de melhora, pois o paciente percebe que não está tomando placebo.

A Relação entre Efeitos Adversos e Efeitos Terapêuticos dos Antidepressivos

Tentativas anteriores de esclarecer a possível associação entre a presença de efeitos colaterais induzidos pelo antidepressivo e a resposta terapêutica apresentaram resultados discordantes e inconclusivos.

Esses estudos falharam em analisar o quanto a propensão dos participantes a experimentar os efeitos colaterais induzidos pelos medicamentos pode ter influenciado a taxa de resposta terapêutica.

Para resolver esse problema, a solução seria comparar a resposta terapêutica em pacientes que relataram e não relataram eventos adversos, respectivamente.

Dessa forma, é possível descobrir se a presença de eventos adversos é necessária para que os ISRS superem a resposta terapêutica alcançada com o placebo, em pacientes tratados com estes medicamentos.

Avaliando o Efeito dos Antidepressivos no Tratamento da Depressão

Os pesquisadores realizaram uma revisão de dados de mais de 3.300 pacientes, em ensaios clínicos de depressão maior em adultos, randomizados e controlados por placebo, que foram realizados pelas indústrias GSK e Lundbeck, fabricantes dos medicamentos paroxetina e citalopram, respectivamente.

Com base nessas informações, os pesquisadores fizeram uma comparação da resposta terapêutica nos pacientes que apresentaram efeitos adversos e nos pacientes que não apresentaram estes efeitos, para avaliar em que medida a presença de eventos adversos constitui um pré-requisito indispensável para que os antidepressivos superem o placebo.

A Importância deste Estudo para o Tratamento da Depressão

Em comparação aos que receberam placebo, os pacientes tratados com os antidepressivos citalopram ou paroxetina apresentaram redução significativamente maior dos sintomas, segundo avaliação pelo item “humor deprimido” da Hamilton Depression Rating Scale (HDRS).

Esta melhor resposta terapêutica, em relação ao grupo placebo, foi alcançada tanto nos pacientes que relataram quanto nos que não relataram eventos adversos.

A principal descoberta deste estudo, portanto, não é compatível com a teoria de que o efeito benéfico dos antidepressivos é apenas o resultado dos eventos adversos dessas substâncias. Os resultados desta pesquisa sustentam a noção de que estes fármacos apresentam efeitos antidepressivos genuínos, causados ​​por suas propriedades farmacodinâmicas.

As conclusões deste estudo são de grande importância para o tratamento da depressão. Sabemos que nem todos os antidepressivos funcionam para todos os pacientes. Mas, na maioria dos casos, é necessário apenas ajustes na dose ou a troca para outro fármaco.

Você tem alguma dúvida sobre o seu tratamento de depressão? Marque uma consulta e deixe-nos ajudar na adequação do seu medicamento.

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