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Tratamento com Lítio – Compreenda as Indicações e os Cuidados

Neurologista - Dr. Willian Rezende do Carmo

Categorias: Conteúdos, Dor de Cabeça, Emoções

Publicado: 7 de novembro de 2023 | Atualizado: 7 de novembro de 2023

O tratamento com lítio é um assunto de extrema importância, especialmente para aqueles que sofrem de transtorno afetivo bipolar (TAB) e outras condições psiquiátricas. O lítio, que é o primeiro medicamento classificado como estabilizador de humor, desempenha um papel vital no manejo dessas condições, proporcionando estabilidade emocional e melhor qualidade de vida para os pacientes. No entanto, o seu uso requer cuidados e controle contínuo, para garantir que seus benefícios superem quaisquer riscos potenciais.

História do Lítio

O lítio não é apenas um medicamento, mas também um elemento químico da natureza. Foi identificado a partir da petalita, graças às contribuições do patriarca da independência, José Bonifácio de Andrade e Silva, no século XIX. No entanto, sua utilização terapêutica só começou a ser mais amplamente adotada pelos psiquiatras a partir de 1949, principalmente para tratar episódios de mania em pacientes com transtorno bipolar.

Ao longo das décadas, o lítio mostrou sua eficácia não apenas no tratamento de episódios maníacos, mas também na manutenção da terapia, prevenção de mania e prevenção da fase depressiva do TAB. Além disso, ele encontrou aplicações “off-label”, ou seja, não indicadas na bula, no tratamento da depressão, cefaleia em salvas, neutropenia e até mesmo na prevenção do suicídio. Recentemente, estudos têm sugerido um possível papel protetor do lítio em condições neurodegenerativas, como Alzheimer, Parkinson, Huntington, lesão medular e esclerose lateral amiotrófica (ELA).

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Como o Lítio Funciona e Como Consumi-lo

Embora o mecanismo de ação exato do lítio não seja completamente compreendido, ele demonstrou ser benéfico no tratamento de vários distúrbios psiquiátricos. Uma das teorias sugere que o lítio atua inibindo enzimas como a glicogênio sintase quinase 3 beta (GSK 3) e o inositol-monofosfatase (IMPasse), influenciando processos metabólicos que estão relacionados a mudanças de humor e comportamento.

O lítio deve ser ingerido com água, e a absorção é mais lenta com o estômago vazio. Muitos pacientes preferem tomá-lo durante as refeições, o que não apenas ajuda a lembrar-se de tomá-lo, mas também evita possíveis efeitos colaterais gastrointestinais.

Caso se esqueça de tomar uma dose do medicamento, a recomendação é tomá-la assim que se lembrar e, em seguida, retomar o esquema de uso regular. Não é aconselhável tomar doses em dobro para compensar a dose esquecida. Pode ser útil utilizar um alarme ou lembrete para evitar esquecimentos.

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É importante destacar que o tratamento com lítio é contínuo, e pode levar de uma a três semanas, ou até mais, para que seus efeitos sejam notados, variando de pessoa para pessoa.

Apresentações Disponíveis

O lítio é frequentemente comercializado sob a marca de referência Carbolitium®, mas também está disponível em versões genéricas. Algumas dessas apresentações constam da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename), o que significa que estão disponíveis gratuitamente em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) mediante receita médica. As apresentações mais comuns são comprimidos revestidos de 300 mg e comprimidos de liberação prolongada de 450 mg.

Vantagens e Desvantagens e Possíveis Efeitos Colaterais

Uma das maiores vantagens do lítio é sua acessibilidade e eficácia, especialmente entre os pacientes que respondem bem ao tratamento. No entanto, uma desvantagem importante é a necessidade de controle contínuo dos níveis séricos de lítio, devido ao seu baixo índice terapêutico. Isso significa que a margem entre a dose eficaz e a dose tóxica é pequena, tornando o acompanhamento rigoroso essencial, especialmente em pacientes com função renal deficiente.

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O lítio não deve ser utilizado por pessoas que são alérgicas a ele ou a qualquer um de seus componentes. Além disso, é contraindicado em casos de problemas renais, doenças cardiovasculares, idade inferior a 12 anos, gravidez, uso de diuréticos, desidratação e carência de sódio.

Os idosos podem responder bem ao tratamento, embora com doses mais baixas. Nesses casos, é essencial um cuidadoso monitoramento dos níveis de lítio no sangue, juntamente com avaliações periódicas da função renal, tireóide e cardíaca.

O uso de lítio é contraindicado durante a gravidez, especialmente nas primeiras 12 semanas, devido ao risco de malformações no feto. Em relação à amamentação, o lítio pode passar para o leite materno e causar efeitos colaterais no bebê. Portanto, é crucial discutir com o médico a relação risco-benefício da manutenção do tratamento durante o período de amamentação.

O lítio é geralmente considerado bem tolerado e seguro quando usado de acordo com as orientações médicas. Os efeitos colaterais mais comuns estão relacionados à dose e podem incluir acne, gosto metálico na boca, aumento de peso, erupção cutânea, náusea, diarreia, redução dos hormônios da tireóide, aumento do tamanho da tireóide, entre outros. É importante relatar qualquer efeito colateral ao médico para avaliação e ajustes necessários no tratamento.

Algumas medicações podem interagir com o lítio e afetar seus efeitos. É fundamental informar o médico sobre o uso ou histórico recente de substâncias como diuréticos, anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), inibidores da ECA, entre outros, para evitar interações perigosas.

Monitoramento dos Níveis de Lítio

O acompanhamento regular dos níveis sanguíneos de lítio é crucial para garantir a eficácia e a segurança do tratamento. Os exames devem ser realizados conforme a orientação médica, inicialmente em intervalos curtos e, posteriormente, com menos frequência se os níveis forem estáveis.

O lítio é um medicamento fundamental no tratamento de transtorno afetivo bipolar e outros distúrbios psiquiátricos, mas seu uso requer uma abordagem cuidadosa e controle contínuo. É essencial seguir as orientações do médico, realizar exames de acompanhamento e relatar quaisquer efeitos colaterais ou problemas durante o tratamento. Com os cuidados adequados, o lítio pode trazer uma melhoria significativa na qualidade de vida daqueles que se beneficiam de seu uso terapêutico.

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