Neurologista - Dr. Willian Rezende

Enxaqueca pode aumentar o risco AVC


Uma nova pesquisa sugere que idosos que sofrem com enxaqueca podem ter um risco aumentado de acidente vascular cerebral (AVC), mas somente se são fumantes.

O estudo  foi publicado na edição de julho de 2015, do Neurology®,  jornal médico da Academia Americana de Neurologia.

“As descobertas podem fornecer mais evidências a respeito de porque parar de fumar é importante para as pessoas que sofrem de enxaqueca. Embora este estudo de enxaqueca e eventos vasculares em idosos tenha descoberto apenas que os fumantes com enxaqueca têm um risco maior de acidente vascular cerebral, estudos anteriores mostraram que mulheres com idade inferior a 45 anos que têm enxaqueca com aura também apresentam um risco aumentado de acidente vascular cerebral, fumantes ou não”, afirma o neurologista, Willian Rezende do Carmo, CRM-SP 160.140.

Para o estudo, 1.292 pessoas que participaram do Northern Manhattan Study com uma idade média de 68 anos, que relataram enxaqueca, foram acompanhadas por uma média de 11 anos para ver se apresentariam ataques cardíacos ou acidentes vasculares cerebrais.

Neste universo, 187 tinham enxaqueca sem aura e 75 tinham enxaqueca com aura. Durante o estudo, um total de 294 acidentes vasculares cerebrais ataques cardíacos e mortes ocorreram.

Os desafios do diagnóstico das cefaleias 

O diagnóstico correto das cefaleias depende principalmente das informações fornecidas pelo paciente a respeito das características da sua dor. A seguir, relacionamos alguns aspectos sobre os quais o neurologista irá se debruçar.  A fim de tornar mais produtiva sua consulta, é interessante que você já vá para ela tendo pensado nessas questões. Se preferir, poderá levar algumas anotações:

  • Tempo de início da dor – o neurologista deverá lhe perguntar há quanto tempo você apresenta dor de cabeça. Se você sofre de cefaleia há muitos anos, tente recordar desde que idade aproximadamente passou a apresentar esse sintoma, mesmo que sua frequência fosse diferente da atual. Se o fato é recente, procure estabelecer o mais precisamente possível há quantos dias ou meses se iniciou;
  • Mudanças nas características da dor – é importante que você informe ao neurologista se a dor de cabeça que sente atualmente é semelhante à que sempre lhe acometeu ou se é de um novo tipo. Pode ocorrer, também, que a dor seja semelhante à de sempre, mas que se tenha tornado mais frequente. Procure recordar há quanto tempo a dor passou a apresentar as características atuais;
  • Frequência das crises – a frequência das crises é uma importante informação para o diagnóstico e difere muito de um tipo para outro de dor de cabeça, podendo ser diária, quase diária ou esporádica. Procure estabelecer aproximadamente quantas vezes por mês, por semana ou por dia a dor se manifesta. Observe, também, se suas dores seguem um padrão de agrupamento, ou seja, se há períodos em que ocorrem várias crises por dia, durante semanas ou meses, seguidas por intervalos de meses ou anos sem dor;
  • Duração das crises – o tempo de duração de cada episódio de dor varia de acordo com o tipo de cefaleia, podendo ser desde uma fração de segundo até dor contínua por dias, semanas, meses ou anos. Informe da maneira mais precisa possível, o tempo de duração de suas crises de dor;
  • Intensidade da dor – este é um outro aspecto muito útil para o diagnóstico. A intensidade da dor pode ser classificada de uma forma simples como fraca, moderada ou intensa, segundo o critério a seguir:

  1. Fraca – dor que não interfere com as atividades da vida cotidiana (trabalho, obrigações domésticas, estudo, etc);
  2. Moderada – dor que não impede, mas interfere nas atividades;
  3. Forte – dor que impede as atividades.

  • Localização habitual da dor – para algumas formas de cefaleia, a localização da dor pode ser uma informação importante. Observe e informe o seu neurologista se as dores costumam acometer toda a cabeça ou se, pelo menos, em algumas crises, a dor ocorre em apenas um dos lados. Se a dor for unilateral, observe se há alternância de lado entre as crises ou se elas ocorrem exclusivamente à direita ou à esquerda;
  • Qualidade da dor – as dores de cabeça podem ser pulsáteis ou latejantes (percepção do pulso arterial ou sensação de que “o coração está batendo na cabeça”), constantes, em peso ou aperto (sensação de uma faixa apertada, turbante ou capacete), em pontadas, em choque, em queimação e de muitas outras formas de acordo com a percepção do paciente. Esse dado pode ajudar a esclarecer qual a sua modalidade de dor de cabeça;
  • Fatores desencadeantes – algumas formas de cefaleia podem ser desencadeadas quando o paciente é submetido a certos fatores deflagradores (ou desencadeantes). Os mais frequentemente relatados são: alterações emocionais; atraso na ingestão de alimentos (suprimir refeições, jejum prolongado); mudanças de horário de sono (dormir demais ou de menos); alimentos e produtos da dieta (chocolate, queijos, frutas cítricas, frutas oleaginosas, vinhos tintos, cerveja, embutidos, aspartame, glutamato monossódico, cafeína); posições viciosas do pescoço. Em alguns pacientes, a dor pode ser desencadeada por estímulos em determinados pontos da cabeça (pontos de gatilho). Se você perceber correlação entre sua dor e algum desses ou outros deflagradores, anote e informe. Isso poderá ser útil no diagnóstico e também no tratamento;
  • Fenômenos acompanhantes – diferentes modalidades de cefaleia são acompanhadas de outros fenômenos além da dor. Observe se apresenta algum deles: intolerância à luz (fotofobia), aos sons (fonofobia) ou aos odores (osmofobia); náusea; vômitos; rebaixamento de uma das pálpebras (ptose); lacrimejamento ou vermelhidão de um dos olhos; congestão nasal ou coriza;
  • Fatores de agravamento ou de alívio – procure verificar se sua dor se acentua quando você executa atividades como, por exemplo, caminhar, subir escadas, ou quando abaixa a cabeça. Observe também o que lhe proporciona algum alívio (excetuando-se as medicações) como dormir, repouso, aplicar gelo na cabeça, etc.

 

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