Neurologista - Dr. Willian Rezende

Mulheres sabem pouco sobre o AVC


A primeira causa de morte entre as brasileiras é o acidente vascular cerebral (AVC) e a segunda é o infarto. Mas poucas mulheres conhecem os riscos específicos relacionados ao sexo feminino e os sintomas de um acidente vascular cerebral, o que pode ter consequências devastadoras.

“Conheço bem essa realidade. na minha prática como neurologista. Uma pesquisa recente confirmou a mesma verdade preocupante. O estudo, realizado e divulgado pelo The Ohio University Wexner Medical Center, analisou dados de 1.000 mulheres americanas e descobriu que apenas 11% delas poderia identificar corretamente a gravidez, o lúpus, a enxaqueca, a contracepção oral e a terapia de reposição hormonal como riscos específicos do sexo feminino para um AVC”, afirma o neurologista, Willian Rezende do Carmo, CRM-SP 160.140.

Segundo o médico, os resultados da pesquisa são preocupantes, dado o grande número de mulheres que têm uma conexão com um ou mais desses fatores de risco. Infelizmente, muitas mulheres pensam que o AVC é uma “questão de saúde dos homens”, mas elas estão enganadas, pois o AVC é a terceira maior causa de morte entre mulheres nos Estados Unidos, de acordo com a National Stroke Association, e a primeira causa de morte entre as brasileiras, segundo o Ministério da Saúde.

Atenção aos sintomas

Os sintomas de um acidente vascular cerebral podem ser diferentes nas mulheres, quando comparados com os homens, embora poucas mulheres na pesquisa americana puderam ser capazes de identificar algumas dessas diferenças. Apenas 10% sabia que as mulheres podem experimentar soluços e dor torácica atípica durante um acidente vascular cerebral.

“A consciência sobre determinados sinais de alerta precoces é importante durante um acidente vascular cerebral porque muitas mulheres podem pensar que estão com indigestão e demorar a procurar assistência médica, o que pode ter consequências graves. Nas primeiras quatro horas após o início do AVC, o tratamento de emergência com medicamentos anticoagulantes é uma opção viável. As mulheres, muitas vezes, perdem esta janela de 4,5 horas, pois não conhecem os sinais de alerta”, destaca Willian Rezende.

Os sinais de AVC que são um pouco mais comuns em mulheres incluem:

  • Soluços;
  • Tontura;
  • Dor de cabeça;
  • Dormência no corpo, com um lado mais insensível do que o outro.

Alguns sintomas, no entanto, são os mesmos para homens e mulheres:

  • Paralisia facial ou sorriso desigual;
  • Fraqueza que envolve o braço e a perna do mesmo lado do corpo;
  • Fala arrastada ou dificuldade para falar ou compreender.

“Se um homem ou uma mulher sentir qualquer um destes sintomas, deve procurar uma emergência médica imediatamente”, orienta o neurologista.

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Recuperação de um acidente vascular cerebral

A pesquisa também descobriu que metade de todas as mulheres pesquisadas não tinha conhecimento dos desafios que poderiam enfrentar depois de um acidente vascular cerebral. “Danos aos nervos e paralisia podem causar problemas na deglutição, mas muitas mulheres que sobrevivem a um acidente vascular cerebral também sofrem de depressão, que, muitas vezes, pode desencorajar essas pacientes a buscarem a reabilitação tão cedo e tão frequentemente como deveriam”, destaca o neurologista Willian Rezende.

“Temos um longo caminho a percorrer para educar as mulheres sobre o acidente vascular cerebral, incluindo os riscos e os sintomas exclusivos relativos ao sexo. Todos nós, homens e mulheres, precisamos saber que o tabagismo, a falta de exercícios físicos e a pressão arterial alta podem elevar nosso risco de acidente vascular cerebral”, diz o médico.

Os níveis de hemoglobina Glicada HbA1c acima de 5.7 também pode aumentar a probabilidade de acidente vascular cerebral. Quando outros fatores de risco não estão presentes, o LDL (mau colesterol) em níveis superiores a 100 é um fator de risco por si só. Para aqueles com diabetes, os riscos são maiores e os indivíduos terão de ser mais cuidadosos. Na presença do diabetes, qualquer nível de A1C superior a 7,0 e/ou um nível de colesterol LDL superior a 70 elevam o risco de acidente vascular cerebral.

“Com o envelhecimento mundial das sociedades, é esperado que  o número de acidentes vasculares cerebrais continue a subir. É imperativo que todos nós, homens e mulheres, saibamos os riscos e os sintomas do AVC, pois  o tratamento rápido pode reduzir complicações e melhorar a sobrevivência”, destaca Rezende.

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