Neurologista - Dr. Willian Rezende

Risco de AVC é maior no horário de verão


Adiantar o relógio, pra frente ou para trás, uma hora, durante o horário de verão, pode estar vinculado a um risco de AVC isquêmico, mas apenas temporariamente, de acordo com um estudo da Academia Americana de Neurologia.

O acidente vascular cerebral isquêmico é o tipo mais comum de acidente vascular cerebral, respondendo por 87% de todos os casos. Ele é causado por um coágulo que bloqueia o fluxo sanguíneo para o cérebro.

Para o estudo, os pesquisadores analisaram uma década de dados sobre o acidente vascular cerebral, na Finlândia, para encontrar as taxas de acidente vascular cerebral. Eles compararam a taxa de AVC em 3.033 pessoas hospitalizadas, durante a semana seguinte à decretação do horário de verão, com a taxa de acidente vascular cerebral em um grupo de 11.801 pessoas, hospitalizadas duas semanas antes ou duas semanas após a semana de decretação do horário de verão.

Os pesquisadores descobriram que a taxa global de acidente vascular cerebral isquêmico foi 8% mais elevada durante os dois primeiros dias após a decretação do horário de verão. Não houve diferença após dois dias.

Pessoas com câncer apresentam 25% mais chances de ter um acidente vascular cerebral após o horário de verão do que durante outro período. O risco de AVC também foi maior para aqueles com mais de 65 anos, que apresentam  20% mais chances de ter um acidente vascular cerebral durante a transição do horário de verão. “Mais estudos devem agora ser feitos para compreender melhor a relação entre essas transições e o risco de acidente vascular cerebral, bem como para descobrir se existem maneiras de reduzir esse risco”, afirma o neurologista, Willian Rezende do Carmo, CRM-SP 160.140.

Conheça outros fatores de risco de AVC

Dentre os principais fatores de risco de AVC, destacam-se:

Não modificáveis
  1. Idade e sexo: ainda que um AVC possa surgir em qualquer idade, inclusive entre crianças e recém-nascidos, sua incidência cresce à medida que avança a idade. Quanto mais velha uma pessoa, maior a chance de ela ter um AVC. Pessoas do sexo masculino e de raça negra exibem maior tendência ao desenvolvimento de AVC;
  2. História de doença vascular prévia: quem já teve um AVC, ou uma “ameaça de derrame”, ou outra doença vascular como o infarto (no coração) e a doença vascular obstrutiva periférica (estreitamento das artérias que alimentam as pernas diminuindo o fluxo de sangue), tem maior probabilidade de ter um AVC;
  3. Doenças do coração: as doenças do coração, especialmente as que produzem arritmias, aumentam o risco de AVC. As arritmias provocam uma corrente sanguínea irregular e facilitam a formação de coágulos sanguíneos dentro do coração, que podem chegar pela circulação nos vasos do cérebro, diminuindo o fluxo sanguíneo e causando um AVC. Alguns exemplos de doenças do coração que aumentam o risco de AVC: infarto, fibrilação atrial, doença nas válvulas, cardiopatia chagásica (Doença de Chagas);
  4. História Familiar: pessoas que tem famílias nas quais varias pessoas tiveram AVC ou infarto do miocárdio também tem maior risco de AVC
Modificáveis:
  1. Tabagismo: o hábito de fumar é fortemente relacionado com o risco para AVC. Mesmo o uso de pequeno número de cigarros (ou de cachimbo ou de charuto) associa-se ao risco aumentado. As substâncias químicas presentes na fumaça do cigarro passam dos pulmões para a corrente sanguínea e circulam pelo corpo, afetando todas as células e provocando diversas alterações no sistema circulatório;
  2. Hipertensão arterial: conhecida como “pressão alta”. O termo pressão arterial se refere à pressão nas artérias que levam o sangue do coração para o resto do corpo. A pressão média de uma pessoa saudável é de 120/80 mmHg (“12 por 8”). Quando a pressão está elevada, ela acaba lesionando os vasos sanguíneos do cérebro e pode causar um AVC. O tratamento da hipertensão arterial é muito importante, pois reduz tanto o risco de AVC como de ataques do coração. Mesmo que uma pessoa tenha uma pressão só um pouco elevada é preciso consultar um médico para começar o tratamento adequado;
  3. Diabetes: a doença é causada por uma deficiência do hormônio chamado insulina ou por uma resistência a ele. Esse hormônio é essencial no metabolismo da glicose no corpo. Por isso pessoas com diabetes possuem um excesso de “açúcar no sangue”. O objetivo do tratamento da diabetes é manter o nível de glicose no sangue o mais próximo do normal. Um bom controle da diabetes com dieta adequada e medicamentos torna os problemas circulatórios menos comuns. Pessoas com diabetes devem cuidar atentamente os níveis da pressão arterial;
  4. Sedentarismo: a atividade física confere redução do risco de doença vascular. O sedentarismo leva ao aumento de peso, predispondo à hipertensão, diabetes, níveis inadequados de colesterol no sangue, todos fatores de risco para o AVC. Começar uma atividade física regular, por exemplo, caminhadas três vezes por semana, traz benefícios à saúde;
  5. A dieta e o colesterol: o excesso de gordura no sangue (dislipidemias), especialmente de colesterol, leva à formação de placas nas paredes das artérias. Isto as torna mais estreitas e reduz o fluxo sanguíneo, aumentando as chances da pessoa ter um AVC. Você pode diminuir este risco mudando a sua dieta, principalmente reduzindo o consumo de gordura animal. A obesidade deve ser controlada, principalmente por sua associação com a diabetes;
  6. Álcool e droga: o consumo excessivo de bebidas alcoólicas associa-se ao grande aumento na incidência de AVC. O consumo rotineiro de álcool leva à hipertensão e aos níveis inadequados de colesterol no sangue – fatores de risco já citados. O uso de cocaína ou crack é capaz de gerar lesão arterial e picos hipertensivos, sendo associado ao desenvolvimento de AVC;
  7. Anticoncepcional: o uso de pílulas anticoncepcionais pode favorecer o surgimento de AVC, principalmente em mulheres fumantes, ou com hipertensão arterial, ou com enxaqueca. É muito importante que você consulte o seu médico para que ele avalie a sua condição clínica e oriente da melhor maneira possível.
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