Neurologista - Dr. Willian Rezende

Dor de Cabeça na Esclerose Múltipla


Dor de Cabeça na Esclerose Múltipla. A Esclerose Múltipla (EM) consiste em uma doença crônica, inflamatória e autoimune que acomete o cérebro, os nervos ópticos e a medula espinhal (sistema nervoso central). Em resumo, nosso sistema imunológico confunde células saudáveis com “invasores”, e as ataca, provocando lesões cerebrais e medulares.

A EM não tem cura e manifesta-se por meio de uma série de sintomas variáveis, que incluem fadiga intensa, fraqueza muscular, disfunções na coordenação motora, desequilíbrio, depressão, entre outros. Um sintoma pouco abordado na esclerose múltipla, mas que compromete significativamente a qualidade de vida dos portadores, é a dor de cabeça. Infelizmente, a condição permanece subdiagnosticada na maioria dos consultórios de neurologia, já que os profissionais geralmente concentram-se nos sintomas específicos da EM.

Continue esta leitura para saber mais sobre o impacto da dor de cabeça na esclerose múltipla e a importância de tratar adequadamente esse sintoma para evitar um comprometimento ainda maior da sua qualidade de vida.

Saiba Mais sobre a Dor de Cabeça na Esclerose Múltipla

Resultados de estudos têm demonstrado que a dor de cabeça é mais comum em pessoas que enfrentam a esclerose múltipla em relação à população geral, e que o sintoma pode manifestar-se em qualquer estágio da doença.

Os pacientes que enfrentam a esclerose múltipla do tipo reincidente-remitente tendem a enfrentar mais dores de cabeça do que os pacientes que portam as demais manifestações da doença. Dos tipos de enxaqueca na EM, as enxaquecas crônicas provocam maior incapacidade e comprometem ainda mais a qualidade de vida dos pacientes com EM do que as enxaquecas episódicas.

Compreendendo a Relação entre Dor de Cabeça e Esclerose Múltipla

Embora as causas da dor de cabeça na EM permaneçam pouco compreendidas, a comunidade científica continua dedicando-se a esclarecer a relação entre ambas condições clínicas.

Para melhor compreender esta relação, neurologistas da Universidade Katip Celebi, em Izmir, na Turquia, analisaram 754 pacientes com esclerose múltipla (com idade média de 36 anos, 61% do sexo feminino). 68% do total de participantes enfrentavam episódios de dor de cabeça.

O tipo predominante de dor de cabeça nos pacientes analisados foi a enxaqueca (39%), seguida pela cefaleia decorrente do uso excessivo de medicamentos (38%) e cefaleia tensional (20%).

Embora os resultados de outros estudos apontem uma maior propensão das mulheres a sofrer episódios de cefaleia na esclerose múltipla (três vezes maior do que a população masculina), os homens desse estudo apresentaram-se mais suscetíveis a sofrer enxaquecas, por uma diferença de 2%.

Uma das possíveis causas da dor de cabeça na esclerose múltipla atribui-se ao uso de determinados medicamentos, como é o caso da terapia com interferon. No estudo, a maior parte dos pacientes com cefaleia foi tratada com interferon beta (73,8%), fingolimode (14,8%), teriflunomida (7,2%) e natalizumabe (4,3%).

A prevalência de dor de cabeça nos portadores de esclerose que participaram desse estudo reflete a alta frequência dos sintomas dolorosos na população geral que enfrenta a doença autoimune. Esses achados demonstram a importância de uma maior atenção por parte dos neurologistas a este sintoma, devido à sua alta prevalência, à incapacidade que pode gerar e aos impactos negativos que provoca no prognóstico e no tratamento da EM. A cefaleia deve ser investigada – e diagnosticada, se for o caso – em todos os portadores da doença.

O que Desencadeia a Dor de Cabeça na EM?

Altas Temperaturas

Os portadores da EM são mais propensos a sofrer episódios de dor de cabeça intensa no verão, devido às altas temperaturas. Por isso, nesta época do ano, os cuidados devem ser redobrados. Confira algumas dicas para proteger-se contra a dor de cabeça desencadeada pelo calor:

  • Proteja-se ao máximo do calor;
  • Beba muito líquido;
  • Evite sair na rua em momentos de calor intenso e procure abrigar-se em ambientes mais frescos;
  • Cubra sua cabeça com chapéus ou panos para proteger-se do sol;
  • Procure criar ambientes frescos e ventilados em casa, com ar condicionado ou ventiladores.

Estresse e Fadiga

A dor de cabeça na EM também pode ser desencadeada pelo estresse ou pela fadiga intensa. Para evitar os episódios dolorosos, é primordial manter o controle sobre suas ações e evitar o estresse. Praticar técnicas de relaxamento – como yoga, meditação ou técnicas que ajudam a gerenciar o estresse – configura uma boa medida preventiva.

Além disso, evite esforços físicos muito intensos que levam à fadiga. Se possível, solicite ajuda a terceiros na execução de determinadas atividades.

Alimentos e Hábitos

O consumo de determinados alimentos e bebidas tem potencial de causar dores de cabeça na EM, como é o caso do chocolate, do álcool e de alimentos com alto teor de sal. Alguns hábitos, como o tabagismo, também elevam a propensão do paciente ao sintoma. Por isso, evite-os, sobretudo se você os reconhece como um gatilho para as suas dores de cabeça.

Buscando Ajuda Médica

Os prejuízos da dor de cabeça sobre a qualidade de vida dos portadores de EM não limitam-se à frequência ou à intensidade dos episódios, como também ao impacto que a dor exerce sobre o dia a dia do paciente, ou seja, em sua vida profissional, social e afetiva. O humor e a qualidade de vida do indivíduo como um todo podem ser severamente comprometidos; por isso, o tratamento especializado deve ser considerado ainda nos estágios iniciais da dor, a fim de evitar seu agravamento e o das limitações que impõe.

Felizmente, existem abordagens medicamentosas e não-medicamentosas capazes de fornecer aos pacientes com EM a analgesia que eles necessitam para a dor de cabeça. Se este for o seu caso, não sofra mais em silêncio: compartilhe o problema com o seu neurologista de confiança, obtenha um diagnóstico assertivo e verifique qual plano de tratamento é o mais adequado para você.

Referência:

Cefaleia em Portadores de Esclerose Múltipla (pdf)

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Esclerose Múltipla

A esclerose múltipla é a principal doença imunológica do Sistema Nervoso Central. Ela afeta o cérebro e a medula espinhal por meio de lesões inflamatórias que podem ser leves ou intensas, levando à ruptura da fibra neural, responsável pelo impulso nervoso. Isso implica que a esclerose múltipla é uma doença de caráter inflamatório e neurodegenerativo, uma vez que ela afeta e rompe os neurônios.



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