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Doença de Parkinson e Sexualidade

Neurologista - Dr. Willian Rezende do Carmo

Categorias: Conteúdos, Doença de Parkinson

Publicado: 27 de setembro de 2022 | Atualizado: 27 de setembro de 2022

Doença de Parkinson e Sexualidade. A doença de Parkinson (DP) tornou-se muito conhecida e ganhou uma visibilidade significativa. No entanto, as pessoas com a doença apresentam comportamentos sexuais problemáticos que ainda são mal interpretados ou ignorados.

Os problemas sexuais na DP fazem parte de uma síndrome não motora e desempenham um papel relevante na vida dos indivíduos afetados e de seus parceiros.

Doença de Parkinson e Sexualidade – Saiba Mais

A diminuição da função sexual é praticamente inevitável para quem a tem. Esse sintoma envolve desde a falta de desejo sexual (baixa libido) até dificuldades com o funcionamento orgástico. Essa doença neurológica crônica e progressiva pode prejudicar a sexualidade de inúmeras formas.

Check list de sintomas de doença de Parkinson
Um questionário com lista de sintomas que podem estar associados ao Parkinson

No entanto, os casais que sofrem com a doença de Parkinson podem minimizar os empecilhos de sua vida sexual se souberem como lidar efetivamente com os problemas que podem surgir.

Causas das Alterações Sexuais na Doença de Parkinson

O Parkinson afeta o sistema nervoso autônomo, que controla a resposta e o funcionamento sexual. A doença atua sobre os neurônios do cérebro, fazendo com que as células nervosas produtoras de dopamina morram.

A princípio, essa queda de dopamina pode resultar em uma diminuição do desejo e interesse sexual. Em seguida, acredita-se que os níveis baixos de dopamina resultam em perda de equilíbrio, mudanças no padrão e na postura do caminhar, lentidão, rigidez muscular, movimentos, atividade espontânea e tremores ao descansar. Os sintomas de Parkinson também incluem:

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  • Coordenação sexual prejudicada;
  • Disfunção erétil;
  • Secura vaginal (com pouca ou nenhuma lubrificação);
  • Falta de orgasmo;
  • Hipersexualidade.

Depressão e Sexo na Doença de Parkinson

A depressão pode afetar até 40% dos pacientes com Parkinson. Isso significa que os distúrbios sexuais podem ocorrer devido à depressão que surge após o diagnóstico de Parkinson, mais do que pela própria doença em si. Os medicamentos antidepressivos que podem ser administrados também podem resultar em disfunção sexual.

Outras questões emocionais nos pacientes de Parkinson que podem resultar em dificuldades sexuais incluem: raiva, estresse, tristeza e fadiga mental. Um indivíduo que luta contra o mal de Parkinson pode ter uma redução da autoestima, o que pode impactar na sexualidade.

Existem ainda questões relacionadas à imagem corporal, devido a problemas como alterações na textura da pele ou no cheiro do corpo, resultantes do consumo de medicamentos de Parkinson.

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Como Lidar com os Problemas no Relacionamento

A dinâmica sexual também é afetada por questões como o modo que cada parceiro lida com o diagnóstico de Parkinson, pois, na maioria das vezes, isso significa demandas diárias e mudanças nos papéis dos parceiros.

Um estudo de 2000 descobriu que o toque afetivo e a expressão de sentimentos são reduzidos apesar de ambos os parceiros desejarem intimidade. Isso pode ocorrer, em parte, porque alguns casais passam a dormir em camas separadas uma vez que os sintomas de Parkinson geralmente pioram à noite. Esses arranjos para dormir reduzem a oportunidade de contato sexual espontâneo.

As complicações sexuais e de relacionamento que surgem com o Parkinson podem ser devastadoras, por isso é fundamental que as pessoas com a doença e seus parceiros busquem orientação e apoio para a redução das consequências sexuais que podem surgir.

Cada casal afetado pelo Parkinson tem uma experiência diferente. De um modo geral, vocês podem tentar:

  • Aprender sobre os efeitos que o Parkinson e seu tratamento podem ter na sexualidade;
  • Apreciar e reconhecer o estresse emocional pelo qual vocês dois estão passando, mesmo que estejam passando por isso de forma diferente. Façam todos os esforços para mostrar amor, respeito, carinho e união de maneiras não sexuais;
  • Falar franca e abertamente sobre as necessidades sexuais. A comunicação é o melhor remédio para todos os tipos de problemas de relacionamento;
  • Experimentar diferentes rotinas – por exemplo, mudar o ato de fazer amor para os momentos da manhã, quando os sintomas de Parkinson tendem a ser menos pronunciados ou quando você tem melhor mobilidade (seu horário ‘on’);
  • Colocar ênfase em diferentes expressões físicas de fazer amor – por exemplo, preliminares, tocar e beijar em vez de penetração;
  • Explorar e praticar posições diferentes e confortáveis ​​para uma penetração bem-sucedida e prazerosa;
  • Adotar novos papéis sexuais de acordo com suas habilidades e de seu parceiro;
  • Encontrar novas soluções para estimulação física (toque, excitação, orgasmo);
  • Trabalhar em conjunto com a equipe médica para reduzir os efeitos dos medicamentos na função sexual.

Consulte o seu médico para obter informações, conselhos e referências sobre qualquer tipo de dificuldade sexual. Se você achar difícil falar e se comunicar com seu médico ou parceiro, o aconselhamento de um psicólogo pode ajudar.

Assista ao vídeo e saiba mais:

Mais Informações sobre este assunto na Internet:

Artigo Publicado em: 17 de maio de 2019 e Atualizado em: 27 de setembro de 2022

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Doença de Parkinson

A doença de Parkinson é uma condição neurológica crônica e progressiva, resultante da degeneração das células responsáveis pela produção de dopamina, um neurotransmissor que controla os movimentos, entre outras funções. Seus sintomas costumam afetar o movimento, e o diagnóstico é feito com base no histórico do paciente, avaliação dos sintomas e alguns exames. O tratamento deve ser individualizado, e comumente exige uma abordagem interdisciplinar.

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