Neurologista - Dr. Willian Rezende

A Depressão na Doença de Parkinson


Estima-se que a depressão na doença de Parkinson, é a alteração não-motora mais comum desta patologia, presente em grande parte dos pacientes. Os transtornos depressivos podem representar a primeira manifestação da doença de Parkinson, anos antes do início dos sintomas motores.

Quando não tratada, a depressão chega a intensificar os outros sintomas da doença, além de comprometer a capacidade cognitiva e, consequentemente, piorar a qualidade de vida.

Depressão na Doença de Parkinson

Embora muitos pacientes com Parkinson sintam tristeza, a depressão que os acomete é provocada por alterações químicas nas áreas do cérebro que produzem dopamina, serotonina e noradrenalina, substâncias diretamente relacionadas ao humor, energia e bem-estar.

Assim, o perfil de sintomas depressivos nestes pacientes é diferente: eles têm maiores taxas de ansiedade, pessimismo e irracionalidade e menos culpa e tristeza.

Além das mudanças persistentes no humor, incluindo a capacidade de experimentar prazer, os distúrbios depressivos envolvem sinais e queixas somáticas, como mudanças cognitivas e sintomas vegetativos (interrupções no sono e apetite) que se manifestam de forma até mais intensa do que as características da própria doença.

O efeito da medicação sobre estados de humor e motor, o contexto de uma doença progressiva para a qual não há cura e o aumento da ocorrência de outras comorbidades psiquiátricas, como distúrbios de controle de impulsos ou psicose, também complicam a avaliação para um distúrbio depressivo.

Possíveis Causas para a Depressão na Doença de Parkinson

Entre os possíveis mecanismos fisiológicos, os fatores psicológicos e a incapacidade são relevantes, porém não são predominantes para os transtornos depressivos. Em vez disso, os fatores neurobiológicos associados à doença neurodegenerativa e seus tratamentos somáticos fornecem um contexto para maiores taxas destes sintomas depressivos.

A degeneração de neurônios dopaminérgicos e os corpos de Lewy intraneuronais na substância negra são as lesões neuropatológicas de Parkinson. No entanto, a doença se estende além do mesencéfalo e também envolve a perda discreta de neurônios noradrenérgicos e serotoninérgicos.

Juntos, esses sistemas neuronais estão associados à regulação dos sistemas de humor e recompensa, assim como a sua degeneração está relacionada a distúrbios do humor, também na população em geral.

A Importância do Tratamento da Depressão na Doença de Parkinson

É importante enfatizar aos pacientes e suas famílias que os transtornos depressivos que cursam com esta patologia são tratáveis e a recuperação é possível. Por outro lado, sem tratamento, o impacto da depressão se estende muito além dos sintomas de humor, incluindo maior incapacidade funcional, deterioração física e cognitiva mais rápida, aumento da mortalidade, menor qualidade de vida e aumento da dificuldade do cuidador.

Infelizmente, em contextos clínicos, os distúrbios depressivos são insuficientemente reconhecidos. Para reduzir essa lacuna, uma revisão de literatura realizada pelos Departamentos de Psiquiatria e Neurologia de Baylor College of Medicine, em Houston, EUA, sintetizou o conhecimento atual sobre as características clínicas e tratamento dos distúrbios depressivos na doença de Parkinson.

O resultado do trabalho foi publicado na edição de maio de 2016 do periódico Current Neurology Neuroscience Reports.

Segundo os pesquisadores, o tratamento de distúrbios depressivos é indicado quando os sintomas persistem e contribuem para angústia ou disfunção. A abordagem ao tratamento deve ser individualizada e multidimensional, incluindo medicamentos, conforme o caso, educação sobre o distúrbio do humor e como ele se relaciona com a doença de Parkinson, facilitando as estratégias para lidar com os sintomas de humor e fornecendo suporte emocional.

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Doença de Parkinson

A doença de Parkinson é uma condição neurológica crônica e progressiva, resultante da degeneração das células responsáveis pela produção de dopamina, um neurotransmissor que controla os movimentos, entre outras funções. Seus sintomas costumam afetar o movimento, e o diagnóstico é feito com base no histórico do paciente, avaliação dos sintomas e alguns exames. O tratamento deve ser individualizado, e comumente exige uma abordagem interdisciplinar.



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