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Como Aumentar Sua Reserva Cognitiva

Neurologista - Dr. Willian Rezende do Carmo

Categorias: Conteúdos, Memória / Alzheimer

Publicado: 2 de janeiro de 2024 | Atualizado: 2 de janeiro de 2024

A reserva cognitiva é um conceito crucial na compreensão da saúde cerebral e da prevenção de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, Parkinson, esclerose múltipla e acidente vascular cerebral. Estudos têm mostrado que indivíduos com uma reserva cognitiva mais robusta são mais capazes de evitar sintomas associados a alterações cerebrais degenerativas, mesmo que seus cérebros mostram evidências dessas condições em estágios avançados.

O termo “reserva cognitiva” surgiu no final da década de 1980, originando-se de estudos reveladores que examinaram cérebros de pessoas que, postumamente, apresentavam características típicas de doença de Alzheimer avançada, mas que durante a vida não manifestaram sintomas da doença. A descoberta intrigante foi que esses indivíduos possuíam uma reserva cognitiva robusta o suficiente para compensar os danos cerebrais e manter um funcionamento normal.

Uma Propriedade Protetora

Podemos definir a reserva cognitiva como uma “espécie de propriedade” acumulada ao longo da vida, uma consequência das experiências vividas. Essa propriedade atua como uma defesa eficaz contra lesões cerebrais, permitindo ao cérebro improvisar e encontrar formas alternativas de realizar tarefas.

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Enquanto a reserva cerebral está mais associada à capacidade do cérebro de gerar novos neurônios e manter sua estrutura física, a reserva cognitiva está relacionada às atividades cognitivas desenvolvidas desde o nascimento. A combinação dessas reservas, cerebral e cognitiva, desempenha um papel crucial na forma como o cérebro lida com lesões ou doenças neurodegenerativas.

Construindo a Reserva Cognitiva ao Longo da Vida

A construção da reserva cognitiva é um processo contínuo que começa na infância e se estende ao longo da vida. Elementos como boa alimentação, estimulação adequada e educação desempenham papéis fundamentais. A educação formal, leitura, aprendizado de novos conceitos e disciplinas acadêmicas têm sido tradicionalmente valorizados, mas há debates sobre se atividades diárias, como ler, tocar um instrumento ou manter um blog, podem contribuir ainda mais.

Estudo das Freiras: Um Caso Notável

O famoso Estudo das Freiras, conduzido em 1986 em um convento em Minnesota, destacou a importância da reserva cognitiva. O estudo envolveu quase 700 freiras que foram acompanhadas ao longo de vários anos, recebendo testes cognitivos anuais. Descobriu-se que aquelas que usavam frases e ideias mais complexas eram menos propensas a desenvolver Alzheimer.

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O arquivo encontrado com os diários das freiras desde o início de sua vida religiosa oferece insights valiosos. Mesmo com lesões cerebrais características da doença de Alzheimer, as freiras que exercitavam mais a mente apresentavam melhores resultados nos testes cognitivos.

Práticas Diárias para Fortalecer a Reserva Cognitiva

O Centro de Diagnóstico e Intervenção Neurocognitivo de Barcelona propõe práticas diárias saudáveis para manter a mente ativa, contribuindo para o desenvolvimento da reserva cognitiva. Entre essas práticas, destacam-se:

  • Leitura: Estimula a atenção, concentração, memória e linguagem;
  • Aprender algo novo: Não apenas fornece estímulo cognitivo, mas também gera novas conexões sinápticas;
  • Vida social ativa: Interagir socialmente é fundamental para o desenvolvimento cognitivo;
  • Jogos mentais: Jogos de tabuleiro, palavras cruzadas e atividades que desafiem a mente;
  • Alterar rotinas: A automatização de atividades pode diminuir a ativação cerebral; portanto, é benéfico quebrar hábitos de vez em quando.

Outras Recomendações para a Saúde Cerebral

Além do fortalecimento da reserva cognitiva, práticas gerais para promover a saúde cerebral incluem:

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  • Não fumar;
  • Exercícios regulares;
  • Manter um peso saudável;
  • Tratar pressão alta e diabetes;
  • Garantir sono adequado.

A construção da reserva cognitiva é uma jornada ao longo da vida, envolvendo uma combinação de fatores genéticos, experiências de vida e atividades diárias. O cérebro é notavelmente adaptável, e investir nessas práticas é essencial para enfrentar os desafios cognitivos associados ao envelhecimento e possíveis doenças neurodegenerativas.

Investindo na Saúde Cognitiva para uma Vida Plena

A reserva cognitiva é um tesouro acumulado ao longo da vida, uma defesa contra os desafios cerebrais que o envelhecimento e as condições neurodegenerativas podem apresentar. Educação, atividades intelectuais, vida social ativa e práticas saudáveis diárias são os alicerces para construir e fortalecer essa reserva.

Independentemente da idade, é possível melhorar a reserva cognitiva por meio de atividades que exercitem a mente, como aprender algo novo, tocar um instrumento musical, praticar esportes e manter uma vida social ativa. Ao adotar essas práticas, estamos não apenas investindo na saúde cerebral, mas também aumentando a qualidade de vida e a capacidade de enfrentar os desafios que o tempo pode trazer. O cérebro, assim como o corpo, merece cuidados constantes para florescer e proporcionar uma vida plena.

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Memória / Alzheimer

A Doença de Alzheimer é uma enfermidade incurável e progressiva. A maioria das vítimas são pessoas idosas. A doença apresenta sintomas como perda de funções executivas e cognitivas (como a memória), causada pela morte de células cerebrais. O objetivo do tratamento é aliviar os sintomas existentes, retardando a evolução da doença. Os tratamentos indicados são divididos em farmacológicos e os não-farmacológicos.

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