Neurologista - Dr. Willian Rezende

Miastenia gravis: quando a cirurgia é a melhor opção


Em um estudo global sobre miastenia gravis, uma doença autoimune que provoca fraqueza muscular e fadiga, os pesquisadores descobriram que a remoção cirúrgica de um órgão chamado timo reduz a fraqueza dos pacientes e sua necessidade de drogas imunossupressoras. O estudo foi publicado no New England Journal of Medicine. Os resultados apoiam a ideia de que a timectomia é uma opção de tratamento válida para uma das principais formas de miastenia grave.

O estudo randomizado, controlado, realizado com 126 pacientes com idades entre 18-65 anos, foi feito entre 2006 e 2012.  Os pesquisadores compararam a combinação da cirurgia e da imunossupressão com a prednisona com o tratamento com prednisona sozinho. Eles realizaram 57 timectomias. Este procedimento cirúrgico visa remover a maior parte do timo, o que exige a abertura do peito do paciente.

Em média, os pesquisadores descobriram que a combinação de cirurgia e prednisona reduziu a fraqueza muscular global mais do que o tratamento empregando apenas a prednisona. Após 36 meses de tratamento com prednisona, ambos os grupos de pacientes apresentaram melhores níveis de força muscular. As pontuações para os pacientes que fizeram timectomias e usaram prednisona foram 2,84% melhor do que pacientes que utilizaram apenas a prednisona.

“Os resultados sugerem a cirurgia é uma opção legítima para os pacientes a ser considerada. Esperamos que o estudo contribua para o nível de informação de médicos e pacientes de forma a reduzir a deficiência causada pela miastenia gravis, que pode ter impacto diário na vida dos pacientes”, afirma o neurologista, Willian Rezende do Carmo, CRM-SP 160.140.

Tratamento da miastenia gravis

Existem inúmeras abordagens terapêuticas para tratar a miastenia grave. No entanto, uma combinação desses métodos costuma ser a saída mais eficaz para tratar os sintomas da doença. Veja:

  • Medicamentos: o uso de alguns medicamentos, como imunossupressores, corticosteroides e inibidores de colinesterase, costuma ser combinado a uma terapia chamada de plasmaferase, que consiste na remoção do plasma com anticorpos, a fim deste ser substituído por um plasma livre de células de defesa, e, também, a infusões de imunoglobilina intravenosa, que tem como objetivo prover o corpo com anticorpos capazes de neutralizar os auto-anticorpos que atacam a junção músculo-neural;
  • Cirurgia: aproximadamente 15% dos casos confirmados de miastenia grave são acompanhados por um tumor no timo – uma glândula que está diretamente envolvida no sistema imunológico. São nesses casos em que a cirurgia para remoção do timo é o método mais indicado para tratar miastenia grave.

“Mesmo sem a ocorrência de tumor, a cirurgia pode ser uma boa saída para aliviar os sintomas causados pela doença, livrando o paciente do uso de medicamentos. Não existe cura para miastenia grave, mas com o tratamento adequado é possível ter uma remissão prolongada dos sintomas. Para isso, pode ser necessário restringir algumas atividades diárias. Além disso, indivíduos que apresentam apenas sintomas oculares podem desenvolver miastenia generalizada com o decorrer do tempo”, afirma o neurologista.

Mulheres com miastenia grave podem ficar grávidas, porém devem ser observadas de perto por uma equipe médica especializada. Caso a doença seja transmitida para o bebê por meio da placenta, a criança deverá ser submetida a um tratamento para remissão dos sintomas. Geralmente, o bebê consegue se livrar da miastenia grave rapidamente – geralmente algumas semanas após o parto.

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