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Bradicinesia no Parkinson – Por que o Parkinson Causa Lentidão?

Neurologista - Dr. Willian Rezende do Carmo

Categorias: Conteúdos, Doença de Parkinson

Publicado: 9 de abril de 2024 | Atualizado: 10 de abril de 2024

A bradicinesia é um dos sintomas mais característicos e debilitantes da doença de Parkinson, uma condição neurodegenerativa progressiva que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. O termo médico “bradicinesia” refere-se à lentidão anormal dos movimentos, afetando tanto os movimentos voluntários quanto os automáticos ou repetitivos. Esta condição não apenas torna as tarefas diárias mais desafiadoras, mas também impacta significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

O que é Bradicinesia?

A bradicinesia é um termo médico usado para descrever a lentidão anormal dos movimentos. É um dos três sintomas característicos da doença de Parkinson, juntamente com os tremores de repouso e a rigidez muscular. Essa lentidão de movimento afeta tanto os movimentos voluntários, ou seja, aqueles que a pessoa realiza conscientemente, quanto os movimentos automáticos e repetitivos, que são executados sem pensar.

Os sintomas da bradicinesia podem variar de pessoa para pessoa, mas geralmente incluem dificuldades em realizar atividades cotidianas, como caminhar, se vestir, escrever e até mesmo expressar emoções facilmente. Os pacientes podem sentir que seus movimentos estão mais lentos e que os músculos não respondem adequadamente aos comandos do cérebro.

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Por que o Parkinson causa Bradicinesia?

Para entender por que a bradicinesia ocorre em pacientes com Parkinson, é necessário examinar o papel da dopamina no cérebro. A dopamina é um neurotransmissor que desempenha um papel fundamental na comunicação entre as células nervosas responsáveis pelo controle do movimento.

No Parkinson, há uma diminuição dos níveis de dopamina devido à morte progressiva das células nervosas na parte do cérebro chamada substância negra. Essa redução na quantidade de dopamina interfere na capacidade do cérebro de enviar mensagens para controlar os movimentos do corpo de forma eficiente.

A falta de dopamina leva a uma desregulação dos circuitos cerebrais responsáveis pelo controle motor, resultando em movimentos mais lentos e descoordenados. Isso se manifesta clinicamente como bradicinesia, rigidez muscular e tremores característicos da doença de Parkinson.

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Além da diminuição da dopamina, outros fatores também podem contribuir para a bradicinesia no Parkinson, incluindo alterações em outros neurotransmissores, como a acetilcolina, e mudanças na atividade de diferentes regiões do cérebro envolvidas no controle motor.

Sintomas Associados

A bradicinesia não se limita apenas a movimentos lentos; ela pode se manifestar de várias formas e afetar diferentes aspectos da vida diária do paciente com Parkinson. Além da lentidão nos movimentos, outros sintomas associados à bradicinesia incluem:

  • Falta de expressão facial (hipomimia);
  • Dificuldade em iniciar ou concluir movimentos;
  • Arrastar dos pés ao caminhar;
  • Dificuldade em falar claramente;
  • Micrografia (letra pequena e inclinada);
  • Congelamento dos movimentos;
  • Dificuldade em realizar tarefas repetitivas ou delicadas.

Esses sintomas podem variar em gravidade e podem piorar à medida que a doença progride. A bradicinesia tende a se tornar mais evidente nos estágios posteriores do Parkinson, à medida que a degeneração neuronal continua.

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Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico da bradicinesia é frequentemente realizado por profissionais de saúde durante testes específicos que avaliam a coordenação motora e a velocidade dos movimentos. Uma vez diagnosticada, o tratamento da bradicinesia na doença de Parkinson visa principalmente aumentar os níveis de dopamina no cérebro e melhorar a comunicação entre as células nervosas.

Os medicamentos mais comumente prescritos incluem levodopa, agonistas da dopamina, inibidores da MAO-B e amantadina. Além da terapia medicamentosa, outras abordagens terapêuticas, como a fisioterapia e a terapia ocupacional, podem ajudar a melhorar a força, o equilíbrio e a coordenação dos pacientes.

Em casos avançados ou resistentes ao tratamento medicamentoso, a estimulação cerebral profunda (DBS) pode ser considerada como uma opção cirúrgica para controlar os sintomas da bradicinesia.

O Impacto da Bradicinesia na Vida Diária

A bradicinesia não apenas afeta os aspectos físicos da vida diária, mas também pode ter um impacto significativo no bem-estar emocional e social dos pacientes. A lentidão dos movimentos pode levar à frustração, isolamento e perda de independência à medida que as atividades cotidianas se tornam mais desafiadoras de serem realizadas.

Além disso, a diminuição da expressão facial e da capacidade de comunicação emocional pode dificultar a interação social e o engajamento em relacionamentos interpessoais. Esses aspectos emocionais da bradicinesia muitas vezes são subestimados, mas podem ter um impacto profundo na qualidade de vida dos pacientes e de seus cuidadores.
Compreender a causa e o impacto dessa condição é crucial para o desenvolvimento de estratégias de tratamento eficazes e para melhorar o suporte emocional e social oferecido aos pacientes e suas famílias.

Embora a bradicinesia seja uma manifestação debilitante da doença de Parkinson, avanços contínuos na pesquisa médica e no desenvolvimento de terapias podem oferecer esperança para uma melhor gestão dos sintomas e uma vida mais plena para aqueles afetados por essa condição neurodegenerativa complexa.

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Doença de Parkinson

A doença de Parkinson é uma condição neurológica crônica e progressiva, resultante da degeneração das células responsáveis pela produção de dopamina, um neurotransmissor que controla os movimentos, entre outras funções. Seus sintomas costumam afetar o movimento, e o diagnóstico é feito com base no histórico do paciente, avaliação dos sintomas e alguns exames. O tratamento deve ser individualizado, e comumente exige uma abordagem interdisciplinar.

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