Neurologista - Dr. Willian Rezende

Apneia do sono cobra pedágio sobre função cerebral


Um em cada 15 adultos tem apneia obstrutiva do sono de moderada a grave, um distúrbio no qual a respiração da pessoa é frequentemente interrompida durante o sono, em até 30 vezes por hora. Pessoas com apneia do sono também frequentemente relatam problemas com a cognição, como falta de concentração, dificuldades de memória e tomada de decisão, depressão e estresse.

De acordo com uma nova pesquisa, publicada online no Journal of Sleep Research, pessoas com apneia do sono apresentam alterações significativas em dois  níveis importantes de produtos químicos do cérebro, o que pode ser a razão pela qual muitos têm sintomas que afetam seu dia- a-dia.

Os pesquisadores analisaram os níveis desses neurotransmissores – glutamato e ácido gama-aminobutírico, conhecido como GABA – em uma região do cérebro chamada ínsula, que integra sinais de regiões cerebrais superiores para regular a emoção, o pensamento e as funções físicas, tais como a pressão arterial e a transpiração. Eles descobriram que pessoas com apneia do sono têm níveis diminuídos de GABA e níveis anormalmente elevados de glutamato.

O GABA afeta o humor, deixando as pessoas calmas. O glutamato, pelo contrário, é um acelerador. Quando os níveis de glutamato estão elevados, o cérebro está trabalhando em um estado de estresse e, consequentemente, não funciona de forma tão eficaz. Elevados níveis de glutamato também pode ser tóxicos para os neurônios e os nervos.

“Em estudos anteriores, já haviam sido comprovadas mudanças estruturais no cérebro devido à apneia do sono, mas neste estudo, foram encontradas diferenças substanciais entre estes dois compostos químicos que influenciam a forma como o cérebro está funcionando. A ligação entre a apneia do sono e as alterações no estado do cérebro é uma notícia importante para os clínicos. O que vem com a apneia do sono são essas mudanças no cérebro, portanto, além de prescrever o uso do CPAP, tratamento padrão ouro para  a apneia do sono, os médicos agora sabem que devem prestar atenção em outros sintomas”, informa o   neurologista, Willian Rezende do Carmo, CRM-SP 160.140.

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