Neurologista - Dr. Willian Rezende

Sono profundo relacionado a uma progressão da doença de Parkinson mais lenta


O sono profundo torna a progressão da doença de Parkinson mais lenta, em comparação com aquelas pessoas que apresentam um sono mais leve, segundo os resultados de um estudo da Universidade de Zurique, na Suíça, apresentado no Congresso Europeu da Academia de Neurologia em Amsterdam no Abstract O3207, (pagina 94 no PDF, 90 na publicação)

Diversos estudos já abordaram os distúrbios do sono na doença de Parkinson. Atualmente, temos inúmeras evidências de que a neurodegeneração nesses pacientes afeta o sistema cerebral que regula o ciclo sono-vigília, podendo levar a distúrbios do sono, como dificuldades para adormecer ou para manter o sono ou até mesmo sono diurno repentino ou involuntário.

Também já abordamos aqui no site os resultados de um estudo da Universidade de Temple, sugerindo que as perturbações do ritmo circadiano podem estar relacionadas ao início de Parkinson, ou seja, podem ser fatores de risco para a doença.

Da mesma forma que as perturbações do ritmo circadiano podem ser fatores de risco para a doença de Parkinson, estamos encontrando cada vez mais evidências de que os distúrbios do sono também podem acelerar a neurodegeneração.

Estudando a relação entre sono profundo e neurodegeneração

Os pesquisadores coletaram dados clínicos retrospectivos de 131 pacientes, que foram atendidos em consultas ambulatoriais e passaram por polissonografia. Durante esses exames, os pesquisadores analisaram um índice de sintomas que indicam a progressão da doença de Parkinson.

Para quantificar o sono profundo, foi utilizada uma medida chamada energia de onda lenta (SWE), que representa a profundidade e a duração do sono de ondas lentas, que é o sono profundo.

Os participantes foram divididos em dois grupos: no primeiro aqueles com maiores índices de sono profundo e no segundo os que apresentavam sono mais leve.

Durante um tempo de observação médio de 5 anos, os pacientes que alcançavam um sono profundo tiveram um índice de sintomas considerados fatores de progressão significativamente menor e também necessitaram de menores doses de levodopa.

As limitações deste estudo e os próximos passos

Os pesquisadores afirmam que, embora as associações entre a falta de sono profundo e a progressão da doença de Parkinson que foram descobertas sejam “muito robustas”, uma limitação do estudo foi o seu design retrospectivo, sendo que existe a necessidade de replicar o método idealmente de uma maneira prospectiva.

A diferença entre um estudo retrospectivo e o prospectivo é o fato de que no retrospectivo o pesquisador estuda os pacientes a partir de um desfecho e no prospectivo o desfecho ainda não ocorreu, ele terá que esperar o tempo passar e ver o que acontece.

Estes estudos futuros devem investigar se o sono de ondas lentas pode ser marcador de progressão da doença de Parkinson e se ele tem efeito direto ou indireto no curso da doença.

A importância desses resultados para o tratamento da doença de Parkinson

O sono profundo é o tipo de sono mais restaurador. Contudo, estas descobertas indicam que ele também pode influenciar a neurodegeneração, promovendo uma depuração de toxinas do cérebro, já que os pacientes apresentaram uma progressão mais lenta dos sintomas axiais, bem como a marcha e a função postural.

Se for esse o caso, abordagens terapêuticas que promovam um aumento dos níveis de sono profundo pode ser um alvo de tratamento para esta patologia.

Mesmo enquanto aguardamos mais informações a respeito deste tema, é importante manter uma forte atenção ao sono dos nossos pacientes com Parkinson, pois já temos um alerta de que esta medida não tem apenas a finalidade de melhorar a qualidade de vida dos parkinsonianos.

Sono profundo relacionado a uma progressão da doença de Parkinson mais lenta
5 100% 24
Compartilhe:

Deixe um Comentário