Neurologista - Dr. Willian Rezende

Interromper a aspirina aumenta o risco de AVC


Já é de nosso conhecimento que, em baixas doses, a aspirina previne o AVC. Por este motivo, milhões de pacientes em todo o mundo tomam aspirina diariamente. Contudo, grande parte deles já admitiu interromper o tratamento, sem a orientação médica.

Há preocupações crescentes sobre os riscos associados a esta interrupção na ausência de cirurgia ou hemorragia grave.

Pacientes que interrompem a terapêutica com aspirina em baixa dose, por conta própria, enfrentam um maior risco de eventos cardiovasculares, como o AVC. Esse foi o resultado de um grande estudo baseado na população sueca e publicado no periódico Circulation.

Como a aspirina previne o AVC

A aspirina com baixas doses tem fortes evidências de uso na prevenção de doenças cardiovasculares. O remédio pode diminuir o risco de coágulos sanguíneos, pois impede que as plaquetas se acumulem, em um processo que chamamos formação de trombos.

Além disso, a aspirina também atua reduzindo a inflamação, outro processo que tem sido associado a diversas doenças crônicas, incluindo problemas cardíacos e acidente vascular cerebral, uma vez que aumenta a formação de placas instáveis ​​nas paredes dos vasos sanguíneos.

Investigando os efeitos da interrupção do tratamento

Os pesquisadores analisaram mais de 600 mil pessoas que tomaram doses baixas do remédio (80mg) diariamente para prevenir doenças cardíacas e AVC. Os participantes tinham mais de 40 anos, não tinham história prévia de câncer e apresentavam pelo menos 80% de adesão durante o primeiro ano de tratamento.

Após 3 anos de seguimento, os pacientes que descontinuaram a aspirina tiveram uma taxa de eventos cardiovasculares 37% maior do que aqueles que continuaram. A suspensão de aspirina foi especialmente perigosa para pacientes com doença cardiovascular anterior, com um em cada 36 pacientes sofrendo um evento cardiovascular adicional por ano.

Estudos experimentais sugeriram um “efeito rebote” alguns dias após a suspensão do medicamento. Quando as concentrações de aspirina no sangue são muito baixas, a coagulação do sangue é estimulada em vez de inibida. Além disso, o risco elevado de eventos cardiovasculares aumentou logo após a descontinuação e não diminuiu ao longo do tempo.

A possibilidade de tais mecanismos também é suportada pela descoberta de que a interrupção da aspirina não foi associada a eventos cardiovasculares em pacientes protegidos por outros fármacos anticoagulantes antiplaquetários.

Os diferenciais deste estudo

Para examinar esta questão, os pesquisadores aproveitaram o fato de que a baixa dose de aspirina é vendida apenas por prescrição na Suécia e vinculou o registro sueco de medicamentos prescritos com registros obrigatórios de internação e de morte por causas cardiovasculares.

O diferencial deste estudo foi a análise de registros em um país onde a aspirina de baixa dose está disponível apenas por prescrição médica.

Estudos anteriores, realizados em outros países dependeram de dados de uso auto-relatados, já que a aspirina pode ser comprada livremente, impossibilitando um controle de uso.

As implicações clínicas destas Descobertas

Este artigo pode ajudar médicos e pacientes a tomar uma decisão informada sobre a parada do uso de aspirina.

Embora não seja surpreendente que a suspensão da aspirina para pacientes cardíacos aumente o risco de problemas cardiovasculares, os especialistas alertam que muitas pessoas tomam corretamente o remédio nos primeiros meses após um evento cardíaco, porém deixam de tomar a medicação em algum momento.

Isto, geralmente acontece, porque estas pessoas não fazem uma conexão entre tomar a aspirina e diminuir o risco de ataque cardíaco e acidente vascular cerebral. Temos um vídeo em nosso canal, em que explicamos em detalhes a importância desta terapêutica para prevenção do AVC. Assista ao vídeo e tire suas dúvidas.

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