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Dor Neuropática na Doença de Parkinson

Neurologista - Dr. Willian Rezende do Carmo

Categorias: Conteúdos, Doença de Parkinson, Dor Neuropática

Publicado: 27 de janeiro de 2026

Quando se fala em Doença de Parkinson, a maioria das pessoas pensa imediatamente em tremores, rigidez muscular e lentidão dos movimentos. No entanto, um sintoma frequentemente subestimado, e que impacta diretamente na qualidade de vida do paciente, é a dor, especialmente a Dor Neuropática na Doença de Parkinson.

A dor neuropática na Doença de Parkinson ainda é subdiagnosticada, uma vez que, muitas vezes, é confundida com dores musculares, articulares ou relacionadas ao envelhecimento. Compreender suas características é fundamental para garantir um tratamento adequado e melhorar o bem-estar do paciente, por isso, preparamos um artigo para que você conheça mais sobre a Dor Neuropática na Doença de Parkinson.

Relação entre a Doença de Parkinson e a Dor

Primeiramente, é necessário entender qual é a relação do Parkinson com a dor. Os principais sintomas da Doença de Parkinson envolvem problemas nos movimentos, como movimentos lentos, tremores e músculos rígidos.

No entanto, não é incomum que pessoas com DP apresentem outros sintomas como, por exemplo, a dor. Pesquisadores descobriram que esse tipo de sintoma é relatado por cerca de 60% dos pacientes com Doença de Parkinson, tendo de 2 a 3 vezes mais probabilidade de sentir dor em relação a quem não possui a condição.

As dores musculoesqueléticas e musculares, devido aos movimentos da Doença de Parkinson, são as mais comuns de serem associadas a esse quadro, mas a dor nos nervos, igualmente chamada de dor neuropática, também pode estar ligada a DP.

O que é Dor Neuropática

A dor neuropática é um tipo de dor causada por lesões ou disfunções no sistema nervoso, seja no cérebro, na medula espinhal ou nos nervos periféricos. A dor neuropática é um tipo de dor causada por lesões ou disfunções no sistema nervoso, e sua sensação pode ser descrita de diversas maneiras, incluindo:

  • Choques;
  • Queimação;
  • Sensação de frio ou frieza;
  • Dormência e formigamento, podendo incluir a sensação de alfinetadas e agulhadas.

Dor Neuropática na Doença de Parkinson: Frequência e Características

Apesar de não ter sua causa exata plenamente conhecida, estima-se que a dor neuropática afete de 5% a 30% das pessoas que vivem com a DP.

No entanto, a prevalência da neuropatia periférica, que já é a documentação de que o nervo está danificado, na DP, varia entre 5% e 55% em comparação com 9% da população geral. Com isso, pacientes com Parkinson dentro dessa porcentagem possuem algum tipo de neuropatia periférica, que pode ser confirmada por meio de exames de eletroneuromiografia.

Isso sugere que a própria Doença de Parkinson pode, por si só, causar algum tipo de neuropatia periférica, uma vez que já foi identificada a presença da alfa-sinucleína alterada, a mesma proteína associada à morte dos neurônios no cérebro, também nos nervos periféricos de pacientes com Parkinson. Ou seja, a proteína que causa danos no sistema nervoso central também pode afetar os nervos fora do cérebro.

Além disso, demais fatores igualmente tendem a contribuir para o desenvolvimento da neuropatia periférica em pessoas com Doença de Parkinson, tais como:

  • Alterações posturais;
  • Contrações musculares involuntárias, como as distonias;
  • Compressões nervosas;
  • Deficiências nutricionais.

Dor Neuropática Periférica e Comorbidades Associadas

Outro ponto importante é que a dor neuropática periférica pode ocorrer de forma independente, coexistindo com a Doença de Parkinson. Isso significa que a pessoa pode ter Parkinson e, ao mesmo tempo, outra condição que cause neuropatia periférica, como o Diabetes Mellitus, que frequentemente leva à polineuropatia.

Portanto, não é raro que pacientes com Doença de Parkinson apresentem comorbidades, como o diabetes, que igualmente afetam os nervos periféricos e podem causar dor neuropática associada.

Dor Central na Doença de Parkinson

Existe também outro tipo de dor neuropática na Doença de Parkinson chamada dor central da DP. Diferentemente da neuropatia periférica, está relacionada ao cérebro.

Esse subtipo de dor ocorre quando as vias cerebrais responsáveis pelo controle da sensação dolorosa não funcionam corretamente. Por isso, recebe o nome de dor central.

Frequência e Causas da Dor Central

Estima-se que cerca de 10% das pessoas com Doença de Parkinson apresentem dor central em algum momento da doença. A causa exata ainda não é totalmente conhecida, mas acredita-se que esteja ligada ao processo neurodegenerativo da DP.

Assim como há perda dos neurônios dopaminérgicos que afetam os movimentos, também podem ocorrer alterações nas vias responsáveis pela sensibilidade, facilitando o surgimento da dor neuropática.

Como a Dor Central se Manifesta?

A forma como essa dor se manifesta pode variar bastante. Algumas pessoas descrevem sensações semelhantes às dores neuropáticas periféricas, enquanto outras relatam uma dor contínua em regiões específicas do corpo.

Em alguns casos, também tendem a surgir sintomas menos típicos, como dor abdominal ou sensação de falta de ar, com necessidade constante de puxar o ar.

Dor Central na Prática Clínica

Na prática clínica, é comum observar pacientes com queixa de queimação nos pés e nas pernas, mesmo sem sinais evidentes de neuropatia periférica. Em alguns desses casos, após o diagnóstico de Doença de Parkinson e início do tratamento com levodopa, houve melhora significativa dessa sensação de queimação.

Situações semelhantes também ocorrem com pacientes que relatam pés constantemente gelados ou uma dor com sensação intensa de frio. Existem casos onde essa dor estava relacionada à Doença de Parkinson e, após o início do tratamento específico, a dor central apresentou melhora.

Tratamento da Dor Central na Doença de Parkinson

A dor central ainda é pouco compreendida e pode ser difícil de tratar. No entanto, em muitos casos, é possível controlá-la com o início do tratamento com levodopa ou com a otimização da terapia dopaminérgica, utilizando outros medicamentos que atuam sobre a dopamina.

Ou seja, quando a pessoa apresenta dor neuropática central, o tratamento do Parkinson, seja com levodopa, pramipexol ou outros agentes dopaminérgicos, costuma ajudar a reduzir a dor. Caso o paciente já esteja em tratamento, ajustes na medicação podem trazer melhora dos sintomas.

Em situações de dor mais intensa, outros medicamentos igualmente podem ser utilizados como complemento, como anticonvulsivantes, a exemplo da lamotrigina, e antidepressivos, como a amitriptilina.

Para mais informações e eventuais dúvidas sobre o assunto, é importante buscar ajuda especializada agendando uma consulta com um médico especialista em Neurologia de sua confiança.

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Doença de Parkinson

A doença de Parkinson é uma condição neurológica crônica e progressiva, resultante da degeneração das células responsáveis pela produção de dopamina, um neurotransmissor que controla os movimentos, entre outras funções. Seus sintomas costumam afetar o movimento, e o diagnóstico é feito com base no histórico do paciente, avaliação dos sintomas e alguns exames. O tratamento deve ser individualizado, e comumente exige uma abordagem interdisciplinar.

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