Neurologista - Dr. Willian Rezende

Alergia Alimentar e Esclerose Múltipla


No artigo de hoje falaremos sobre a relação entre Alergia Alimentar e Esclerose Múltipla. Uma pesquisa realizada analisou que de 1349 pacientes com esclerose múltipla, 922 tinham alergia!
Fique até o final deste artigo para saber melhor sobre o assunto!

Alergia Alimentar e Esclerose Múltipla – A Esclerose Múltipla

É importante definir a doença inicialmente, para que o estudo faça sentido para todos os leitores. A esclerose múltipla é a principal doença imunológica do Sistema Nervoso Central (SNC). Ela acomete o cérebro e também a medula espinhal, por meio de lesões inflamatórias que podem ser leves ou intensas, e que podem levar à ruptura da fibra neural, responsável pelo impulso nervoso.

Isso significa que a esclerose múltipla é uma doença de caráter inflamatório e neurodegenerativo, uma vez que ela lesa e rompe os neurônios. Estima-se que 2,3 milhões de pessoas no mundo vivam com esclerose múltipla.

A esclerose múltipla se apresenta quando o organismo confunde as células saudáveis do Sistema Nervoso Central com células que apresentam algum tipo de perigo e as combate, provocando lesões cerebrais e medulares. A esclerose múltipla é, portanto, uma doença crônica e autoimune.

Alergia Alimentar e Esclerose Múltipla – O Estudo

Foi realizado um estudo com a participação de mais ou menos 1400 participantes que tinham esclerose múltipla. Por meio de questionários eles responderam se tinham alergias, que foram divididas em três grandes grupos: alergias alimentares, alergias ambientais (contato a poeira, pólen, sujeira, etc.) e alergia a medicamentos.

Nesses três grandes grupos houve um interessante resultado: das 1349 pessoas com esclerose múltipla que participaram do estudo, 922 tinham alergia. E e dessas 922 pessoas que tinham alergia, 238 eram alergia a alimentos, e os demais eram alergias ambientais e a medicamentos.

O dado mais importante deste estudo foi perceber que existia uma relação entre alergia a alimentos, e a doença de esclerose múltipla.

Foi observado que, os pacientes que relataram alergias alimentares mostraram uma taxa acumulada de 27% de surtos ao longo de sua doença, e mais que o dobro de probabilidade de ter lesões inflamatórias ativas quando comparado com pacientes que não tem alergia, ou quem tem alergia ao ambiente e/ou medicamentos. Isso é uma novidade de bastante peso e de bastante relevância.

Alergia Alimentar e Esclerose Múltipla – Saiba Mais

Outro fator importante desse estudo, é que ele reforçou a hipótese de que a esclerose múltipla tem algum gatilho motivado pela alimentação, ou talvez pelas bactérias e vírus que interagem com o sistema imune no tubo digestivo.

O fato de outros tipos de alergia não apresentarem essa associação, confirma a ideia de que pode haver uma ligação específica entre as bactérias intestinais e o sistema imunológico ou doenças neurológicas.
A equipe que realizou o estudo propôs duas explicações:

  • Alergias alimentares podem desencadear a inflamação da mucosa intestinal, podendo aumentar a atividade da doença ou causar alteração nas bactérias do intestino, criando substâncias químicas neuroativas que afetam o sistema nervoso central.

Entretanto, mais estudos são necessários para confirmar esses resultados, e determinar os mecanismos biológicos que ainda não foram descobertos na associação entre alergias alimentares e atividade da doença esclerose múltipla.

Fonte: https://jnnp.bmj.com/content/early/2018/12/14/jnnp-2018-319301

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