Neurologista - Dr. Willian Rezende

Síndrome das Pernas Inquietas e Doença de Parkinson


Síndrome das Pernas Inquietas e Doença de Parkinson

Síndrome das Pernas Inquietas

A Síndrome das Pernas Inquietas (SPI) é uma condição neurológica associada ao sono e caracterizada por um impulso irresistível de mover as pernas. Existem algumas características que a tornam um condição única e específica.

A primeira é a sensação de inquietação, geralmente nas pernas. A inquietação é muitas vezes acompanhada de sensações adicionais, como formigamento ou sentimentos assustadores, geralmente localizados nas pernas. A localização exata dessa sensação nas pernas não está restrito aos dedos ou pés, como na neuropatia periférica, mas generalizada nas pernas como um todo, muitas vezes nas panturrilhas ou coxas.

A segunda é o fato de que a inquietação piora quando a pessoa está em repouso. Esse efeito faz com que seja mais difícil a pessoa com a síndrome ficar parada para ler, relaxar, trabalhar, dormir, entre outros.

A terceira característica é que os sintomas melhoram quando a pessoa se move, principalmente quando anda. Infelizmente, o alívio dura somente enquanto o movimento se mantém, o que faz com que algumas pessoas, em um estágio avançado da síndrome, fiquem andando por horas. Além de andar, algumas vezes outros estímulos podem ajudar, como massagens ou alongamentos.

A quarta e última característica é que, apesar da SPI ser um transtorno do sono, os sintomas pioram durante a tarde e noite. Infelizmente, não se sabe porque isso ocorre.

A maior parte das pessoas com essa condição tem o início dos sintomas por volta da hora do jantar e antes de dormir, o que pode causar dificuldade ao dormir ou acordar durante o sono no início da noite. Os sintomas tendem a diminuir durante a madrugada e de manhã desaparecem.

Doença de Parkinson

A Doença de Parkinson (DP) é uma alteração neurológica do sistema nervoso central crônica e progressiva caracterizada pela degeneração da substância negra, o que causa a diminuição da produção de dopamina (um neurotransmissor, ou seja, responsável pela transmissão do impulso nervoso).

A dopamina é responsável por auxiliar na realização dos movimentos voluntários do corpo de forma automática, ou seja, movimentos que realizamos sem precisar pensar em cada um deles. Com essa degeneração o controle motor do indivíduo é comprometido, ocasionando os tremores.

A relação entre a Síndrome das Pernas Inquietas e a Doença de Parkinson

Apesar da causa da Síndrome das Pernas Inquietas ser desconhecida, sabemos que ela pode ocorrer em mais de um membro da mesma família, podendo existir fatores genéticos (possível anormalidade no cromossomo 12).

Na medicina ocorrem diversos debates sobre possíveis ligações das duas condições. Em ambos os casos evidências apontam uma resposta a medicamentos que elevam o nível de dopamina, o que demonstra uma disfunção da substância nos dois casos.

Porém, na DP podemos comprovar tal degeneração, já na síndrome das pernas inquietas não são encontradas tais alterações. Em exames de imagem, por exemplo, as alterações observadas no cérebro de uma pessoa com DP não existem nas pessoas com a SPI.

A SPI não causa sintomas como tremores, alterações na marcha, lentidão ou perda olfativa e gustativa e não progride para DP. Na realidade, uma das principais possibilidades de causa da síndrome é a alteração do transporte do ferro no cérebro. Ou seja, pacientes com SPI podem ter baixo nível de ferro nas células nervosas do cérebro.

Por esse motivo, o papel do ferro é um ponto a ser considerado em ambas. Enquanto na DP os níveis elevados do ferro na substância negra contribuem para o estresse oxidativo, na SPI existe a deficiência do mesmo.

A Síndrome das Pernas Inquietas e a Doença de Parkinson não parecem causar a mesma alteração cerebral apesar de terem o mesmo tratamento, mas provavelmente compartilham vias neurais comuns.

Pessoas com Doença de Parkinson e sua relação com a Síndrome das Pernas Inquietas

A prevalência da SPI foi relatada como mais provável quando existem outros distúrbios relacionados à regulação da dopamina, como a DP.

Entretanto, apesar de existirem pacientes com Doença de Parkinson que apresentam a SPI, é difícil comprovar que existe relação entre essas duas condições específicas, já que aproximadamente 2% da população apresenta a DP e 10% possui SPI.

O tipo da SPI na pessoa com DP não é o mesmo do que em uma pessoa que não apresenta a doença. Podemos perceber isso pelo padrão da inquietação: na pessoa com Parkinson não ocorre exclusivamente no período noturno.  Um fator comum é que 80% das pessoas com DP apresentam movimentos periódicos dos membros durante o sono assim como as pessoas com a SPI. Porém tais movimentos não estão obrigatoriamente relacionados a algum diagnóstico, pois podem ocorrer inclusive em idosos saudáveis.

Assista ao nosso vídeo e saiba mais informações sobre a relação entre a Síndrome das Pernas Inquietas e a doença de Parkinson:

Referências:

1 – Restless leg syndrome. J. Steven Poceta, MD. https://www.apdaparkinson.org/what-is-parkinsons/symptoms/restless-leg-syndrome/

2 – Linking restless legs syndrome with Parkinson’s disease: clinical, imaging and genetic evidence. Tasneem Peeraully and Eng-King Tan. Transl Neurodegener. 2012; 1: 6. Published online 2012 Feb 27. doi:  10.1186/2047-9158-1-6 https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3514082/

Síndrome das Pernas Inquietas e Doença de Parkinson
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