Neurologista - Dr. Willian Rezende

Toxina botulínica para dor neuropática diabética


A dor neuropática diabética é uma complicação comum em pessoas com diabetes mellitus, que pode se manifestar em diversas formas. Também conhecida por polineuropatia diabética, não se trata de uma única doença, mas um conjunto de síndromes com variadas manifestações clínicas ou subclínicas.

A dor neuropática é muito frequente na neuropatia periférica diabética, que pode ser descrita como superficial, profunda ou dor ininterrupta severa, com exacerbações à noite.

Outros sintomas comuns em pessoas com neuropatia diabética são formigamento, dormência, fraqueza dos membros e sensação de queimadura. Alguns pacientes também sofrem de privação de sono e depressão.

A fisiopatologia da neuropatia diabética ainda não foi totalmente esclarecida. Até o momento, sabemos que a hiperglicemia persistente é o fator causal primário mais importante, pois provoca um acúmulo de resíduos metabólicos nos nervos, causando lesões através de um mecanismo ainda não muito bem conhecido.

Complicações da dor neuropática diabética

As complicações da dor neuropática diabética incluem parestesia, perda de sensibilidade e úlceras subsequentes, osteomielite, deformidades, gangrena e, em última instância, amputações, mas a dor é o sintoma mais incapacitante, e que acomete a maioria dos pacientes.

A síndrome dolorosa na neuropatia diabética pode resultar de lesões em vários níveis do nervo periférico ou do músculo adjacente, de uma ativação anormal do sistema nervoso simpático ou dos neurônios na medula espinhal, ou até mesmo por algum distúrbio nos mediadores da sensação de dor no cérebro.

Tratamento das polineuropatias diabéticas

Nos últimos anos, houve um considerável progresso no desenvolvimento de novas opções terapêuticas, principalmente dirigidas à sintomatologia da neuropatia diabética dolorosa, associando a terapia farmacológica a tratamentos alternativos como massagem e reflexologia.

Diversos estudos já demonstraram a eficácia e a segurança da aplicação de toxina botulínica para tratamento da dor, inclusive para melhorar a dor neuropática diabética, uma das tarefas mais difíceis no tratamento das polineuropatias diabéticas.

A toxina botulínica no tratamento da dor

A aplicação de toxina botulínica foi inicialmente realizada para tratamento de condições motoras. No entanto, quando os pacientes começaram a relatar significantes melhoras na dor, além dos resultados na contração muscular, a comunidade científica passou a investigar novas possibilidades terapêuticas da substância, principalmente seus efeitos sobre os mecanismos da dor.

Os efeitos antidistônicos e antiespasmódicos da toxina botulínica ocorrem pelo bloqueio da liberação de acetilcolina das vesículas pré-sinápticas. Para o efeito analgésico da toxina botulínica, estudos recentes sugerem outros mecanismos mais complexos, que vão além do relaxamento muscular, possivelmente com uma interação complexa com tecidos periféricos, envolvendo neurônios locais e os sistemas nervosos autônomo e somático e um grande estudo multicêntrico mostrou a eficácia do tratamento da dor neuropática diabética com toxina botilínica.

A injeção subcutânea de toxina botulínica também inibe, de forma dose-dependente, a dor de origem inflamatória, através da redução da liberação do glutamato (um aminoácido que age como neurotransmissor excitatório na resposta inflamatória), nos receptores sensoriais periféricos relacionados à percepção da dor.

O alívio da dor, geralmente é observado em uma semana após a aplicação e pode durar por até 12 semanas. Em alguns pacientes, também há melhora nos índices de qualidade do sono por volta de quatro semanas após a injeção.

Uma adequada avaliação pelo médico especialista deve definir os locais de aplicação e a dose, de acordo com as condições clínicas do paciente, já que a dor de polineuropatia diabética pode ter origens diferenciadas.

Toxina botulínica para dor neuropática diabética
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