Neurologista - Dr. Willian Rezende

AVC: problemas para voltar ao trabalho


“Deficiências invisíveis” podem tornar difícil para os sobreviventes de um acidente vascular cerebral, AVC, manter o emprego, defende um estudo da Universidade de Cambridge. Os resultados, publicados na revista BMJ Open, sugerem que muito mais precisa ser feito para auxiliar os sobreviventes e seus empregadores sobre as dificuldades com as quais essas pessoas podem se deparar.

A cada ano, 110.000 pessoas na Inglaterra sofrem um acidente vascular cerebral, um quarto das quais em idade de trabalhar. A UK’s stroke strategy destaca a importância para as pessoas que tiveram um acidente vascular cerebral de voltar ao trabalho: estar desempregado está associado a problemas de saúde física e mental, enquanto trabalhar tem efeitos positivos sobre a saúde das pessoas com doenças crônicas.

Um estudo recente estimou que o custo dos cuidados com o acidente vascular cerebral no Reino Unido é de £ 9 bilhões por ano, dos quais quase um terço (30%) é devido à perda de rendimento e produtividade.

Para explorar as experiências de pessoas que regressaram ao trabalho após um acidente vascular cerebral, os pesquisadores analisaram os arquivos do TalkStroke, um fórum on-line do Reino Unido organizado pela Stroke Association, por um período de sete anos (2004-2011). Este é o primeiro estudo a utilizar dados de fóruns de redes sociais para estudar as barreiras para se manter no mercado de trabalho após um derrame.

Os pesquisadores analisaram mais de 20.000 mensagens com as frases “voltar ao trabalho” e “de volta ao trabalho” e identificaram 60 pessoas que haviam publicado sobre a questão durante o período de sete anos. Quase todos aqueles que conseguiram voltar ao trabalho ainda experimentavam uma série de deficiências residuais invisíveis, incluindo problemas de memória, de concentração e fadiga.

Nos fóruns on-line, alguns participantes descrevem seus problemas e usam a expressão “parecer normal”, mas não se sentir da mesma maneira por dentro, o que leva a uma falta entendimento com os colegas de trabalho, mas também consigo mesmo: “uma sensação de se sentir uma fraude”.

Ter um empregador que oferece apoio ajudou as pessoas a voltarem ao trabalho e os sobreviventes a fazerem ajustes, incluindo um retorno gradual ao trabalho, horas reduzidas de expediente e trabalho à distância, em casa. Mas quando os empregadores não ofereciam suporte, os sobreviventes encontravam problemas e alguns relataram ser intimidados por colegas.

Alguns participantes do fórum ofereciam conselhos específicos para os outros, tais como o diálogo falar como empregador, mas a consciência era baixa do que fazer e onde procurar ajuda, caso os problemas relacionados com o AVC persistissem a longo prazo.

Apesar de um sobrevivente de um AVC aparentar estar recuperado, ele pode ainda estar afetado por deficiências invisíveis que tornam o trabalho muito difícil e penoso. As conversas em fóruns da internet sugerem que precisamos aumentar a conscientização sobre o apoio a esses indivíduos, mas também mais especificamente entre os profissionais de cuidados primários e os empregadores, para que possam atuar mais firmemente.

Também no BMJ Open, os autores relatam como o TalkStroke provou ser uma ferramenta poderosa para fornecer aconselhamento e apoio para os sobreviventes e seus cuidadores. O estudo constatou que 95% dos pedidos de informação e de apoio por parte dos doentes com acidente vascular cerebral e suas famílias no fórum on-line foram respondidos.

As principais razões para participar de discussões on-line eram pedidos e ofertas de informação e apoio e compartilhamento de experiências sobre o acidente vascular cerebral. A maioria das informações era sobre deficiências físicas, causas do acidente vascular cerebral e informações sobre a recuperação.

“Os empregadores têm um papel vital a desempenhar  na ajuda aos sobreviventes do AVC na volta ao e trabalho e no caminho para a recuperação. O AVC é incrivelmente complexo e afeta cada pessoa de forma diferente. Em alguns casos, os efeitos, a longo prazo da doença, tais como problemas de comunicação ou perda de memória apenas podem tornar-se aparentes no ambiente de trabalho. Com o apoio certo, muitos sobreviventes de AVC podem e voltam a trabalhar com sucesso. Diálogo com os empregadores é essencial para que eles compreendam como um acidente vascular cerebral afeta um indivíduo e como é possível oferecer suporte e os ajustes necessários para a volta ao trabalho”, afirma o neurologista, Willian Rezende do Carmo, CRM-SP 160.140.

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