Neurologista - Dr. Willian Rezende

AVC em crianças: resfriados e gripes aumentam o risco


O acidente vascular cerebral (AVC) é muito raro em crianças, mas resfriados, gripes e outras infecções podem aumentar temporariamente o risco de AVC em crianças, de acordo com um estudo publicado na edição de setembro de 2015, no Neurology ®, jornal médico da Academia Americana de Neurologia.

O estudo também descobriu que vacinas infantis de rotina podem diminuir o risco de acidente vascular cerebral.

“Os pais devem ser tranquilizados sobre os resultados desse estudo, pois embora o risco de AVC associado a resfriados, gripes e infecções seja maior, o risco geral de acidente vascular cerebral em crianças ainda é extremamente baixo. É possível que as mudanças no corpo, resultado destas infecções, tais como inflamação e desidratação possam colocar em maior risco uma criança que já apresenta outros fatores de risco para um AVC. Os pais não devem se preocupar se a gripe do filho vai levar a um acidente vascular cerebral”, afirma o neurologista, Willian Rezende do Carmo, CRM-SP 160.140.

Para o estudo, os pesquisadores revisaram os prontuários e realizaram entrevistas com os pais de 355 crianças menores de 18 anos com diagnóstico de AVC e 354 crianças sem AVC, com idades similares. Os cientistas analisaram se as crianças tinham sido expostas à infecção e também seu histórico vacinal.

Dentre os participantes, 18% das crianças com AVC tiveram uma infecção na semana anterior ao acidente vascular cerebral e 3% das crianças que não tiveram um acidente vascular cerebral tiveram uma infecção na semana anterior à entrevista com os pesquisadores. As crianças que tiveram um acidente vascular cerebral tinham seis vezes mais chances de terem tido uma infecção na semana anterior do que aquelas que não tiveram um acidente vascular cerebral.

“Os pesquisadores descobriram que o risco de acidente vascular cerebral é maior apenas para infecções ocorridas na semana anterior, indicando que o efeito da infecção sobre o risco de acidente vascular cerebral é de curta duração. As infecções que ocorreram um mês ou seis meses antes não estavam associadas com um aumento do risco”, explica o neurologista.

Willian Rezende destaca que as crianças que não foram vacinadas apropriadamente apresentavam um risco maior de acidente vascular cerebral do que aquelas que tinham mais ou todas as vacinas de rotina em dia.

As crianças que tinham recebido algumas, poucas ou nenhuma de suas vacinas apresentavam sete vezes mais probabilidade de ter um acidente vascular cerebral do que aquelas que receberam a maior parte ou todas as vacinas. 8% das crianças que tiveram um AVC eram mal vacinadas em comparação com 1% das que não tiveram derrames.

“Se os resultados desse estudo se confirmarem em estudos futuros, o controle das infecções, como gripes e resfriados, através da lavagem das mãos e da vacinação, pode ser uma estratégia de prevenção de acidente vascular cerebral em crianças”, diz o médico.

Este é o segundo estudo do mesmo grupo de pesquisadores sobre o mesmo tema. O atual expande um estudo anterior com resultados semelhantes. O estudo atual tem um maior tamanho da amostra, a representação geográfica mais ampla, a matrícula e a avaliação prospectiva central da imagiologia cerebral para confirmar os casos de AVC.

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