Neurologista - Dr. Willian Rezende

Amantadina Reduz Discinesia no Parkinson, Segundo um Novo Estudo


Um estudo publicado on-line no periódico JAMA Neurology demonstrou que, na forma de administração em cápsulas de liberação prolongada, a amantadina reduz discinesia induzida por levodopa nos pacientes com doença de Parkinson.

Outro achado importante deste estudo foi que o medicamento reduziu os momentos “a descoberto”: períodos durante o dia nos quais os medicamentos contra a doença não funcionam como esperamos.

Conhecendo as Discinesias

Discinesias são transtornos do movimento que representam uma grande variedade de sintomas motores involuntários.

Na discinesia induzida por levodopa, predominam os movimentos involuntários irregulares, rápidos, de pequena amplitude, curta duração e sem sequência definida.

No entanto, também pode manifestar-se com qualquer tipo dmovimento anormal, como distonia ou mesmo tiques.

O desenvolvimento de discinesia na doença de Parkinson está associado à ocorrência de flutuações motoras, a um início precoce da doença e a doses mais altas de levodopa, um dos medicamentos para a doença.

Mais comumente, as discinesias coincidem com o pico de concentração das doses de levodopa. Esta substância leva ao desenvolvimento de discinesia em cerca de 40% dos pacientes após 4 a 6 anos de uso. Por este motivo, medidas como ajustar os horários e/ou fracionar a dose da levodopa podem ser tomadas no manejo dessas complicações motoras.

A Ação da Amantadina

Além dos ajustes na dose da levodopa, temos como opção de tratamento a amantadina, cujo mecanismo de ação é aumentar a atividade dopaminérgica, bloqueando a recaptação de dopamina na fenda sináptica. Esse fármaco atua ainda como antagonista do receptor NMDA, com propriedades antiglutamatérgicas. Acredita-se também que induza efeitos anticolinérgicos, o que poderia ajudar no controle das discinesias.

Existe uma amantadina genérica de liberação imediata disponível, mas esta apresentação nunca foi bem estudada para a discinesia. As cápsulas de liberação prolongada são administradas ao deitar, para que sua concentração plasmática aumente lentamente durante o sono. Dessa forma, temos concentração máxima durante a manhã e manutenção dos níveis ao longo do dia.

Como o Estudo Foi Realizado

Participaram 126 pacientes com doença de Parkinson tomando levodopa, com pelo menos um quadro de discinesia leve com repercussão funcional.

Durante a primeira semana de tratamento, os pacientes receberam uma dose diária de 137 mg diários de amantadina. A dose foi aumentada para 274 mg da segunda à vigésima quarta semana e reduzida para 137 mg durante a última semana de administração. As doses de levodopa permaneceram inalteradas durante o todo o estudo.

Os resultados demonstraram uma diminuição significativamente maior da pontuação total na United Dyskinesia Rating Scale (diminuição de duração, gravidade e repercussão da discinesia) no grupo de pacientes tratados com amantadina, do que no grupo controle.

O efeito do tratamento com a amantadina na pontuação total da United Dyskinesia Rating Scale foi sistemático também entre os pacientes com menos de 65 anos, assim como para os homens e para as mulheres.

Além disso, o tempo “a descoberto” diminuiu 0,6 hora para o grupo do tratamento e aumentou 0,3 hora para o grupo do placebo.

Utilizando estes Resultados em Consultório

O tratamento da doença de Parkinson, entre as doenças crônicas neurológicas, é um dos que trazem maiores dificuldas para o neurologista em longo prazo. As complicações do tratamento nos pacientes mais idosos são frequentes, mas aqueles que iniciaram mais precocemente a doença de Parkinson consistem num desafio particular, devido à tendência de desenvolver complicações com o uso crônico da levodopa.

É válido considerar que as complicações motoras nos pacientes tratados com a levodopa estão relacionadas à dosagem do medicamento e também à intensidade da perda neuronal dopaminérgica, e não apenas ao tempo de uso da medicação.

Assim, descobertas como esta, de que a amantadina reduz discinesia, podem ajudar no manejo do tratamento da doença de Parkinson. No entanto, cabe ao especialista que acompanha o paciente, a identificação e o tratamento adequado destas complicações, para que não interfiram na sua qualidade de vida.

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