Neurologista - Dr. Willian Rezende

O que é a doença de Alzheimer


O escritor David Shenk, autor do premiado The Forgetting: Alzheimer’s, Portrait of an Epidemic, é o roteirista e diretor de cinco vídeos sobre Alzheimer.

Com duração de cerca de 3 minutos cada um, os filmes explicam como a doença age no corpo, a busca pela cura, além de dicas para pacientes que foram diagnosticados recentemente e seus familiares. O objetivo é reduzir o estigma e ajudar o na luta contra a doença.

Neste primeiro vídeo, o autor aborda o que é a doença de Alzheimer, uma enfermidade incurável que se agrava ao longo do tempo, mas que pode e deve ser tratada. Quase todos os afetados pela doença são pessoas idosas. Talvez, por isso, o Alzheimer tenha ficado erroneamente conhecido como “esclerose” ou “caduquice”.

“A doença se apresenta como demência ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), causada pela morte de células cerebrais. Quando diagnosticada no início, é possível retardar o seu avanço e ter mais controle sobre os sintomas, garantindo melhor qualidade de vida ao paciente e à família”, explica o neurologista Willian Rezende do Carmo, CRM-SP 160.140.

Seu nome oficial refere-se ao médico Alois Alzheimer, o primeiro a descrever a doença, em 1906. Ele estudou e publicou o caso da sua paciente Auguste Deter, uma mulher saudável que, aos 51 anos, desenvolveu um quadro de perda progressiva de memória, desorientação, distúrbio de linguagem (com dificuldade para compreender e se expressar), tornando-se incapaz de cuidar de si. Após o falecimento de Auguste, aos 55 anos, o Dr. Alzheimer examinou seu cérebro e descreveu as alterações que hoje são conhecidas como características da doença.

Não se sabe por que a Doença de Alzheimer ocorre, mas são conhecidas algumas lesões cerebrais características dessa doença. As duas principais alterações que se apresentam são as placas senis decorrentes do depósito de proteína beta-amiloide, anormalmente produzida, e os emaranhados neurofibrilares, frutos da hiperfosforilação da proteína tau. Outra alteração observada é a redução do número das células nervosas (neurônios) e das ligações entre elas (sinapses), com redução progressiva do volume cerebral.

Estudos recentes demonstram que essas alterações cerebrais já estariam instaladas antes do aparecimento de sintomas demenciais. Por isso, quando aparecem as manifestações clínicas que permitem o estabelecimento do diagnóstico, diz-se que teve início a fase demencial da doença.

As perdas neuronais não acontecem de maneira homogênea. As áreas comumente mais atingidas são as de células nervosas (neurônios) responsáveis pela memória e pelas funções executivas que envolvem planejamento e execução de funções complexas. Outras áreas tendem a ser atingidas, posteriormente, ampliando as perdas.

Estima-se que existam no mundo cerca de 35,6 milhões de pessoas com a Doença de Alzheimer. No Brasil, há cerca de 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico.

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