Neurologista - Dr. Willian Rezende

Diferença Entre Esclerose Múltipla e Doença de Devic


Embora a esclerose múltipla e doença de Devic (também conhecida como neuromielite óptica) já tenham sido considerados manifestações diferentes de uma única doença autoimune, sabemos agora que elas são patologias diferentes em muitos aspectos e devem ser tratadas com terapias diferentes.

Veja neste artigo os principais aspectos que diferenciam ambas as doenças e porque é tão importante o diagnóstico diferencial.

Esclerose Múltipla e Doença de Devic

A Esclerose Múltipla e doença de Devic têm muitos sintomas sobrepostos, e com a falta de informações e pesquisas sobre neuromielite óptica, é fácil diagnosticar erroneamente.

Neuromielite óptica é caracterizada por um início súbito de vários graus de dor ocular e perda de visão, bem como inflamação e lesões na medula espinhal. Provoca também fraqueza nos membros, dormência ou paralisia parcial, assim como dor ou formigamento, perda da função da bexiga e do intestino, náuseas e até crises prolongadas de soluços.

Os sintomas da Esclerose Múltipla geralmente ocorrem gradualmente com o passar do tempo e incluem fadiga, dormência, disfunção intestinal e da bexiga, dor, formigamento, dormência, depressão e problemas de locomoção, equilíbrio e coordenação. A doença também é fortemente caracterizada por lesões, embora o tamanho e a localização tendem a diferir da doença de Devic.

A Esclerose Múltipla

A esclerose múltipla envolve um processo imunomediado no qual uma resposta anormal do sistema imunológico é direcionada contra o sistema nervoso central.

Dentro do sistema nervoso central, o sistema imunológico causa inflamação que danifica a mielina – a substância gordurosa que envolve e isola as fibras nervosas – bem como as próprias fibras nervosas e as células especializadas que formam a mielina.

Quando a mielina ou as fibras nervosas são danificadas ou destruídas na esclerose múltipla, as mensagens dentro do sistema nervoso central são alteradas ou interrompidas completamente. As áreas danificadas desenvolvem tecido cicatricial que dá o nome à doença – múltiplas áreas de cicatrização ou esclerose múltipla.

A Doença de Devic

A neuromielite óptica é uma doença desmielinizante do sistema nervoso central que preenche todos os critérios formais para uma origem auto-imune, com manifestações clínicas que se assemelham às da esclerose múltipla.

A existência de disfunção do nervo óptico e da medula espinhal foi descrita pela primeira vez no final do século XIX. Em 1894, Gault usou o termo neuromyélite optique aiguë (neuromielite óptica aguda) para descrever 17 casos coletados da literatura e da experiência pessoal de seu mentor, Eugène Devic. A partir de então, o distúrbio foi também conhecido como doença de Devic.

O distúrbio consiste em um ou mais episódios clínicos de neurite óptica em combinação com mielite. Esses eventos clínicos também ocorrem comumente na esclerose múltipla típica; no entanto, na neuromielite óptica eles são geralmente mais agudos e graves, aumentando a suspeita diagnóstica inicial de neuromielite óptica.

Esclerose Múltipla e Doença de Devic – Diagnóstico

Exames como a ressonância magnética do cérebro e da medula espinhal e o exame do líquido cefalorraquidiano, também revelam achados diferentes daqueles encontrados na esclerose múltipla típica.

Em estudos científicos, a maioria dos pacientes com neuromielite óptica não apresentou ou teve muito poucas lesões inespecíficas da substância branca na ressonância magnética de encéfalo. A ressonância magnética da medula espinhal também mostra achados distintos: a maioria dos pacientes apresenta lesões extensas cobrindo três ou mais segmentos vertebrais.

Esclerose Múltipla e Doença de Devic – Tratamento

A diferenciação das duas doenças tem se tornado cada vez mais importante, já que alguns tratamentos para a esclerose múltipla são totalmente ineficazes na neuromielite óptica.

Além disso, surgiram evidências de que os beta-interferons — um dos principais medicamentos para esclerose múltipla — podem piorar a neuromielite óptica, de forma a promover sua progressão e aumentar as recaídas. Portanto, é necessário diferenciar os dois diagnósticos.

Somente um neurologista experiente pode efetuar um diagnóstico cuidadoso para identificar a patologia existente e recomendar o tratamento adequado.

Fonte: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3882989/

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