Neurologista - Dr. Willian Rezende

Enxaquecas: relâmpagos e alta temperatura são fatores de risco


Pesquisadores da Universidade de Cincinnati descobriram que os relâmpagos podem influenciar no aparecimento das dores de cabeça e enxaquecas. Os resultados, publicados na edição online da revista Cephalalgia, são os primeiros que relacionam os relâmpagos às dores de cabeça e podem ajudar os doentes crônicos a antecipar o tratamento preventivo da dor de cabeça e da enxaqueca.

Segundo os pesquisadores, há um risco 31% maior de dor de cabeça e 28% maior de enxaqueca para os quem sofrem de dor de cabeça crônica, nos dias em que os relâmpagos atingem os locais próximos às casas dos participantes do estudo. Além disso, a dor de cabeça de início recente e a enxaqueca aumentaram em 24% e 23% nos participantes.

Muitos estudos mostravam resultados conflitantes sobre o clima e a dor de cabeça, incluindo elementos como a pressão barométrica e a umidade como fatores que afetam o aparecimento de dores de cabeça. No entanto, este novo estudo mostra claramente uma correlação entre os relâmpagos e as dores de cabeça. Os  pesquisadores encontraram 19% mais risco de  dores de cabeça nos dias de relâmpagos, o sugere que o relâmpago tem efeito único  nas dores de cabeça.

“Há uma série de maneiras pelas quais um relâmpago pode provocar dores de cabeça. As ondas eletromagnéticas emitidas pelos relâmpagos podem provocar dores de cabeça. Além disso, o relâmpago produz o aumento dos poluentes atmosféricos, como o ozônio, o que pode causar a liberação de fungos que podem provocar a enxaqueca. O estudo dá algumas dicas sobre o quão complexo é o vínculo entre o tempo e a dor de cabeça. Serão necessários mais estudos para definir mais precisamente o papel dos relâmpagos e trovoadas no desencadeamento da dor de cabeça”, defende o neurologista, Willian Rezende do Carmo, CRM-SP 160.140.

Dores de cabeça associada às altas temperaturas 

Um outro estudo com mais de 7.000 pacientes fornece também dados em larga escala sobre as condições ambientais  e sua influência sobre a dor de cabeça.

Publicado na revista Neurology, os resultados demonstram que as temperaturas mais elevadas, e em menor grau, a menor pressão barométrica, contribuem para dores de cabeça severas.

Sabendo que a enxaqueca pode ser desencadeada por “gatilhos”, incluindo certos alimentos, álcool, estresse e hormônios, os autores decidiram estudar se fatores ambientais também agiriam como gatilhos  da dor de cabeça.

Os resultados mostraram que de todos os fatores ambientais considerados, a maior temperatura do ar foi mais associada com sintomas de dor de cabeça, com 7,5%  mais riscos de dor de cabeça severa relatada para cada aumento de temperatura de 5 graus Celsius. Em menor grau, a menor pressão barométrica também é desencadeadora de dor de cabeça. Os pesquisadores não encontraram provas de que os poluentes do ar influenciam o aparecimento da dor de cabeça.

“Os resultados dos dois estudo são consistentes com a ideia de que fortes dores de cabeça podem ser desencadeadas por fatores externos. Essas descobertas ajudam a nos dizer que o ambiente à nossa volta afeta nossa saúde. Embora o tempo não possa ser controlado, os médicos podem prescrever medicamentos que podem ser administrados profilaticamente para ajudar a evitar o aparecimento de dores de cabeça relacionadas com o clima”, afirma o neurologista.

 

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