Neurologista - Dr. Willian Rezende

Tratamento da dor lombar não radicular


Novas diretrizes para o tratamento da dor lombar não radicular

A dor lombar é uma das queixas mais comuns em consultas médicas. Além de ser um sintoma incapacitante, está associada ao aumento de diversos custos na saúde, incluindo a diminuição da produtividade no trabalho. Isso torna o tratamento da dor lombar um tema extremamente relevante.

Em geral, a dor lombar aguda possui uma duração de até quatro semanas, a dor subaguda permanece de quatro a doze semanas e a crônica persiste por mais de doze semanas.

Normalmente, após um episódio de dor aguda, até 30% dos pacientes relatam lombalgia persistente por até um ano. Além disso, uma a cada cinco pessoas relata limitações nas suas atividades.

A dor lombar não radicular ocorre quando o paciente sente dor nesta região, mas ela não é causada por compressão dos nervos pelos discos intervertebrais. Neste caso, a dor não irradia para as pernas, por exemplo.

O tratamento da dor lombar

O tratamento da dor lombar não radicular é realizado pela atenção primária, que consiste no atendimento inicial do paciente, dentro dos sistemas de saúde, atuando na solução das possíveis causas de agravo e no direcionamento dos casos mais graves para níveis de atendimento superiores em complexidade.

O American College of Physicians (ACP) divulgou no início de fevereiro, novas diretrizes para o tratamento não invasivo da dor lombar aguda, subaguda e crônica, direcionadas ao atendimento realizado pelo nível de atenção primária em saúde.

Para desenvolver essas novas recomendações, o American College of Physicians revisou diversos estudos publicados entre 2008 e 2016, que avaliaram a eficácia das terapias nas modalidades não invasiva, não medicamentosa e farmacológica para a dor lombar em adultos. Veja a seguir, quais são as novas recomendações.

O tratamento da dor lombar deve ser conservador

A ACP coloca em evidência o tratamento conservador, em que as terapias de primeira escolha incluem abordagens não medicamentosas, como prática de atividades físicas, reabilitação multidisciplinar, acupuntura, ioga, relaxamento progressivo, entre outras.

No caso dessas terapias não apresentarem resultados satisfatórios, o uso dos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) ou dos relaxantes musculares pode ser considerado. Entretanto, o uso do acetaminofeno não é recomendado. Já o uso dos analgésicos opioides foi fortemente desencorajado, devido à possibilidade de dependência ou overdose acidental.

Em relação às terapias farmacológicas com antidepressivos tricíclicos e inibidores seletivos da recaptação da serotonina, alguns estudos suportam a utilização de duloxetina para a dor lombar crônica, mas os antidepressivos tricíclicos não apresentaram uma boa eficácia neste contexto.

As diretrizes não abordaram o uso de medicamentos tópicos, injeções epidurais, nem os anti-inflamatórios seletivos para a ciclooxigenase-2.

Entre os estudos revisados, nenhuma das terapias analisadas se mostrou claramente melhor do que as outras, em relação ao controle da dor lombar. No entanto, alguns estudos evidenciaram as técnicas de redução do estresse baseadas na atenção plena, mais conhecida como mindfulness, e o tai chi chuan eficazes para a redução da dor crônica, e a acupuntura para a redução da dor lombar aguda.

As novas diretrizes também enfatizam que os médicos devem tranquilizar seus pacientes, informando que a dor aguda ou subaguda, na maioria das vezes, é resolvida facilmente, conforme o paciente modifica os seus hábitos e passa a se dedicar mais ao autocuidado.

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