Neurologista - Dr. Willian Rezende

Toxina Botulínica para Espasmos Faciais


Aplicação de Toxina Botulínica como Tratamento para Espasmos Faciais

Também conhecidos por distonias faciais, os espasmos faciais constituem um grupo de alterações neuromusculares, que acometem particularmente os músculos faciais, causando movimentos involuntários. Classificam-se em: blefaroespasmo essencial, síndrome de Meige, síndrome de Brueghel e espasmo hemifacial, de acordo com o músculo afetado.

A síndrome de Meige é caracterizada por espasmos bilaterais bucolinguais, palpebrais e na região inferior da face; na síndrome de Brueghel, há o predomínio dos movimentos mandibulares, bilaterais e o blefaroespasmo essencial é uma alteração bilateral, com repetidas contrações involuntárias do músculo orbicular do olho.

Os espasmos hemifaciais são contrações involuntárias, limitadas aos músculos de um lado do rosto, inervados pelo nervo facial. Inicia-se geralmente com tremores em uma pálpebra, com progressão para áreas adjacentes inervadas pelo nervo facial.

A origem das distonias ainda não é totalmente conhecida, mas as evidências apontam como sendo alterações nos gânglios da base. No caso do espasmo hemifacial, pode ser devido à tortuosidade da artéria vértebro-basilar, que causa uma compressão mecânica do nervo facial no ângulo ponto-cerebelar.

O tratamento associa abordagens farmacológicas, com medicamentos benzodiazepínicos, anticolinérgicos e serotoninérgicos a terapias alternativas, como psicoterapia e acupuntura, com o objetivo de relaxar a musculatura e aliviar a dor crânio-facial, causada pelos movimentos excessivos.

Ação da Toxina Botulínica nos Espasmos Faciais

A aplicação de toxina botulínica diretamente nos músculos faciais também vem apresentando resultados satisfatórios no tratamento das distonias faciais, pela sua ação de bloqueio da liberação de acetilcolina na junção neuromuscular, levando à paralisia completa ou incompleta e temporária dos músculos na região injetada.

O primeiro tratamento de espasmo hemifacial com toxina botulínica foi realizado em 1985, quando seis pacientes foram tratados com injeções no músculo orbicular do olho e tiveram os movimentos anormais ao redor do olho aliviados por uma média de 15 semanas.

O estudo foi publicado no periódico ArticleinJournal of Neurology Neurosurgery & Psychiatry, em agosto de 1986.

Desde então, diversas pesquisas foram realizadas para investigar a utilidade da toxina botulínica para casos de blefaroespasmo, assimetria do terço superior e outros tipos de espasmos faciais.

Aplicação e Efeitos

O método de aplicação e a escolha da região a ser injetada dependem de quais músculos são afetados, pois existe uma diferença nas doses necessárias para controle do espasmo sem causar assimetrias musculares.

A maioria dos pacientes com espasmo hemifacial alcança resultados melhores com a aplicação bilateral de toxina botulínica, já que o tratamento apenas da hemiface afetada culmina em assimetria na dinâmica facial, que confere ao paciente uma aparência de sequela de paralisia facial, com desvio do sorriso para o lado não acometido.

O médico inicia a injeção determinando a dose necessária no lado com espasmo, em cada músculo que apresenta a distonia. No lado contralateral, os pontos são demarcados conforme o ajuste de doses necessário.

Após 15 dias, pode ser realizada uma dose complementar, se houver espasmo residual ou assimetria.

A injeção da toxina alivia os espasmos por um período médio de 3 meses, sendo extremamente eficaz em cerca de 85 a 90 % dos casos. O início dos efeitos foi percebido em 24 a 48 horas, com uma duração média entre 30 a 90 dias.

A duração do efeito costuma ser maior no espasmo hemifacial em relação ao blefaroespasmo essencial e à síndrome de Meige.

Em relação a complicações, a literatura apresenta casos raros de dificuldade de continência oral, olhos secos e dificuldade leve da dicção ou para ingerir líquidos, que desaparecem em aproximadamente 3 semanas.

Toxina Botulínica para Espasmos Faciais
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