Neurologista - Dr. Willian Rezende

Toxina botulínica para dor lombar crônica


Toxina botulínica para o tratamento da dor lombar crônica

Com relação à dor lombar crônica, diversos estudos já demonstraram a eficácia e a segurança da aplicação de toxina botulínica para tratamento de diversas dores, inclusive para dor lombar crônica, que vamos compreender melhor neste artigo.

O primeiro registro científico da toxina botulínica é de 1817, quando foi publicada a primeira descrição do botulismo. O autor, Justinus Kerner, concluiu que as mortes resultantes de intoxicação por salsichas defumadas (do latim botulus, que significa salsicha) foram devido à substância encontrada nesses alimentos em questão, que interferia com a excitabilidade do sistema nervoso motor e autônomo.

O autor também propôs diversos usos médicos potenciais desta toxina, principalmente em desordens com origem no sistema nervoso central. Atualmente, muitas dessas utilidades estão sendo comprovadas por novas pesquisas.

Ação da toxina botulínica sobre a dor lombar

A toxina botulínica foi inicialmente usada para tratamento de condições motoras, como as distonias e a espasticidade. Investigações posteriores foram motivadas quando os pacientes começaram a relatar significantes melhoras na dor, além dos resultados na melhora da contração muscular e não somente na região dos efeitos neuromusculares.

Vários estudos e revisões sistemática vieram mostrar o benefício da toxina botulínica para a dor lombar.

Isto sugeria que a substância poderia ter efeitos diretos sobre os mecanismos da dor, independentemente das ações neuromusculares.

Sabemos que os efeitos antidistônicos e antiespasmódicos da toxina botulínica são atribuídos ao bloqueio da liberação de acetilcolina das vesículas pré-sinápticas, mas estudos recentes sugerem outros mecanismos mais complexos para o efeito analgésico da neurotoxina, que vão além do simples relaxamento muscular, e levantam a possibilidade de interação complexa da toxina com tecidos periféricos, envolvendo neurônios locais, os sistemas nervosos autônomo e somático e eventuais influências indiretas nos mecanismos centrais da dor.

A injeção subcutânea de toxina botulínica também inibe, de forma dose-dependente, a dor de origem inflamatória, através da redução da liberação do glutamato (um aminoácido que age como neurotransmissor excitatório na resposta inflamatória) nos receptores sensoriais periféricos relacionados à percepção da dor.

Na dor lombar crônica, as principais indicações para uso da toxina botulínica envolvem a dor há no mínimo seis meses, com falha no tratamento medicamentoso preconizado ou em tratamento cirúrgico.

Aplicação e efeitos

A aplicação da toxina botulínica na dor lombar pode ser unilateral ou bilateral, com base no padrão de distribuição da dor. O primeiro local para a injeção é selecionado no nível da vértebra de dor mais intensa, definido pelo paciente e pelo médico, por meio de palpação digital muscular profunda.

Injeções subsequentes podem ser aplicadas dois níveis acima e abaixo da localização da dor, em até cinco pontos da musculatura paraespinhal, entre os níveis vertebrais L1 e S1.

Quando a dor se estende lateralmente, a mesma dose é administrada no local, ao nível do músculo paraespinhal. A dose por injeção e a dose total por sessão pode variar, dependendo das condições analisadas durante o exame. É possível a utilização de anestésicos locais como veículos para a toxina botulínica, sem alterar seus efeitos clínicos.

Enfraquecendo a musculatura dolorosa e interrompendo o ciclo espasmo-dor, ocorre o alívio sustentado da dor, para que o paciente possa iniciar a realização de exercícios físicos, que são fundamentais para a recuperação em longo prazo.

Toxina botulínica para dor lombar crônica
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