Neurologista - Dr. Willian Rezende

Aplicação de toxina botulínica para distonia


Aplicação de toxina botulínica para tratamento da distonia

A distonia é um grupo de distúrbios do movimento em que ocorrem contrações musculares involuntárias, mantidas e/ou repetidas, de vários músculos, originando movimentos e posturas anormais. Alterações sensório-motoras como: dor, queimação ou dormência podem preceder o início das contrações musculares.

Com origem hereditária ou associada a distúrbios neurológicos, sua ocorrência pode ser focal, quando envolve partes únicas do corpo, como olhos, boca, laringe, pescoço ou membros; segmentar, quando envolve duas ou mais partes próximas; multifocal, quando envolve várias partes do corpo não adjacentes ou generalizada, quando presente em uma ou ambas as pernas, tronco e outra parte do corpo.

A toxina botulínica é a primeira opção terapêutica para as distonias focais, como distonia cervical, distonia oromandibular, disfonia espasmódica, distonia do escrivão e hemidistonia. Também apresenta bons resultados em outras doenças neurodegenerativas com grande componente distônico.

Mecanismo de ação da toxina botulínica

Produzidas pela bactéria Clostridium botulinum, as neurotoxinas botulínicas são as toxinas mais potentes conhecidas até o momento. Sua combinação de mecanismos de ação extremamente específicos com uma alta toxicidade vem demonstrando diversas utilidades médicas, que estão muito além de sua periculosidade.

A toxina botulínica, como é conhecida popularmente, atua nos terminais nervosos da junção neuromuscular, inibindo os moduladores que ativam a contração do músculo. Dessa forma, é de grande utilidade para o tratamento de distúrbios na contração muscular.

Aplicação e efeitos

A toxina botulínica é administrada por meio de injeção nos músculos que geram as contrações involuntárias, relaxando-os e diminuindo os movimentos e postura anormais, sem ocasionar paralisia completa.

O sucesso do tratamento depende da identificação correta dos músculos alvo e do cálculo da dose em função dos músculos a infiltrar. Em alguns casos, para uma melhor seleção, pode ser necessário aplicar a injeção com auxílio de exames de eletroneurimiografia.

Seu efeito tem início entre 24 a 72 horas da aplicação, com início da melhora clínica entre 7 a 10 dias. A duração do efeito é variável entre 2 a 6 meses, e de acordo com o efeito da aplicação, é recomendado um intervalo mínimo de 3 a 4 meses entre as aplicações.

Os possíveis efeitos colaterais da aplicação de toxina botulínica estão relacionados, principalmente, à realização da infiltração. Os mais frequentes são dor, edema ou pequenos hematomas, que podem ser facilmente resolvidos com o uso de antitérmicos, analgésicos e cuidados locais, como aplicação de gelo, desaparecendo em alguns dias.

Associação da toxina botulínica com fisioterapia

A toxina botulínica apresenta maior eficácia no tratamento das distonias, quando associada à terapia de reabilitação física, com fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, entre outros, proporcionando uma melhora considerável da incapacidade e da dor.

Apesar de ainda existir poucas evidências sobre a estimulação sensorial e o fortalecimento da musculatura como forma de tratamento nas distonias, em treino com tarefas específicas para algumas distonias focais, o uso extensivo dos músculos envolvidos parece resultar em ganho de controle motor e redução dos sintomas.

Várias técnicas fisioterápicas, como relaxamento, alongamento, RPG e biofeedback podem ser associadas à aplicação da toxina botulínica. Na distonia focal da mão, por exemplo, as técnicas de imobilização do antebraço e/ou da mão, seguindo-se treinamento motor, têm demonstrado resultados satisfatórios na recuperação motora da escrita e outras atividades.

Muitas vezes, se a distonia é tarefa específica ou algum tipo de gatilho específico, o fisioterapeuta pode ajudar a treinar o desempenho da mesma tarefa com outra postura.

Este recurso terapêutico pode auxiliar pessoas com distonias quanto ao desempenho em suas atividades básicas e instrumentais de vida diária, atividades de trabalho e de lazer, permitindo ao paciente alcançar uma maior independência funcional.

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