Neurologista - Dr. Willian Rezende

Ronco pesado e apneia do sono x declínios cognitivos


O ronco pesado e a apneia do sono podem estar ligados ao declínio da memória e da capacidade cognitiva, em uma idade mais precoce nos idosos, de acordo com um novo estudo publicado no Neurology ®, jornal da Academia Americana de Neurologia.

Ronco Pesado

A pesquisa também sugere que o tratamento dessas doenças com o CPAP, uma máquina que facilita a respiração, pode retardar esse declínio.

Padrões respiratórios anormais durante o sono, como ronco pesado e apneia do sono, são comuns em idosos e afetam cerca de 52% dos homens e 26% das mulheres.

O estudo constatou que as pessoas com problemas respiratórios do sono foram diagnosticadas com transtorno cognitivo leve, em média, quase 10 anos mais cedo do que as pessoas que não tinham problemas respiratórios do sono. Os pesquisadores descobriram que as pessoas que trataram os seus problemas respiratórios do sono com o CPAP foram diagnosticadas com transtorno cognitivo leve, cerca de 10 anos mais tarde, quando comparadas com as pessoas cujos problemas não foram tratados.

“Dado que muitos idosos têm problemas respiratórios do sono, esses resultados precisam ser analisados com cuidado, pois o uso do CPAP poderia ajudar a prevenir ou retardar problemas de memória e de pensamento”, afirma o neurologista, Willian Rezende do Carmo, CRM-SP 160.140.

O que é o CPAP?

CPAP é a sigla em inglês  para Contiunous Positive Airway Pressure, ou seja, pressão positiva contínua na via aérea. É a forma mais eficaz de tratamento da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS). O sistema CPAP consiste de um gerador de fluxo que, através de uma máscara nasal, fornece uma pressão de ar suplementar que mantém a via aérea desobstruída e também trata o ronco pesado.

“A partir do exato instante em que o paciente coloca a máscara sobre o nariz e liga o aparelho adequadamente calibrado, não haverá mais resistência à passagem de ar e os roncos não serão mais produzidos, mesmo nos estágios profundos do sono. Para isto, o paciente precisará dormir uma noite em laboratório do sono para realizar um exame chamado TITULAÇÃO de CPAP. Este exame consiste em dosar o nível de pressão adequada para inibir os distúrbios respiratórios relacionados ao sono. Com esta pressão o sistema será calibrado e o paciente poderá usá-lo em sua residência”, explica o neurologista.

Ao restabelecer abertura da via aérea, o CPAP previne os despertares e a fragmentação do sono devido aos distúrbios respiratórios relacionados ao sono. Assim, o portador da SAOS poderá ter um sono restaurador, acordará mais disposto e assim permanecerá durante todo o dia.

As demais consequências da apneia do sono, como pressão alta, nictúria (hábito de urinar à noite), doenças cardíacas (arritmia, angina e infarto) e doença cerebrovascular (“derrame”) também podem ser prevenidas com a terapia com CPAP. Não há   cura definitiva para a SAOS, mas  esta forma de tratamento é 100% eficaz para uma doença tão grave, estudada há apenas 30 anos.

Os efeitos indesejáveis do CPAP são raros, leves e reversíveis. Uma pequena parcela de pacientes podem relatar ressecamento e obstrução nasal, fobia pela máscara e distensão abdominal por aerofagia (se paciente deglute o ar inalado). Com a identificação do problema, medidas poderão ser tomadas para a sua prevenção.

 

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