Neurologista - Dr. Willian Rezende

Toxina botulínica para neuralgia do trigêmeo


O trigêmeo é o nervo responsável pela sensibilidade tátil, térmica e dolorosa da face. A neuralgia do trigêmeo é um tipo de dor neuropática, geralmente causada pela compressão da raiz do nervo trigêmeo por um vaso sanguíneo adjacente, atingindo toda a região do rosto por onde este nervo passa com uma dor lancinante.

neuralgia do trigêmeo resulta de uma lesão no sistema nervoso periférico ou somatossensorial, que produz uma anormalidade na transmissão nervosa. Este mecanismo é diferente do mecanismo de nocicepção aguda, por exemplo quando machucamos um dedo.

Na dor aguda, a experiência dolorosa é mais intensa, devido à liberação de agentes pró-inflamatórios (citocinas, adenosina, bradicina, serotonina e prostaglandinas) que sensibilizam a transmissão neuronal.

Já a dor neuropática é uma sensação crônica, um desconforto de alto grau e persistente, que pode ou não se manifestar juntamente com formigamento, queimação, dormência ou outras sensações.

Ação da toxina botulínica sobre a neuralgia do trigêmeo

A toxina botulínica foi inicialmente utilizada para o tratamento de disfunções musculares. Mas os pacientes passaram a relatar melhoras significativas na dor, além dos resultados na contração muscular. A partir de então, diversos estudos estão sendo realizados para investigar suas novas possibilidades terapêuticas, principalmente no tratamento da neuralgia do trigêmeo.

Os efeitos da toxina botulínica sobre a contração muscular ocorrem pelo bloqueio da liberação de acetilcolina nos terminais nervosos das fibras musculares. Para o efeito analgésico da toxina botulínica, o princípio é semelhante ao observado na placa motora: por via retrógrada, a substância ascende pelo nervo, inibindo a transmissão neural em diversos tipos de receptores.

Estudos sugerem que a toxina botulínica tenha uma ação inibitória na liberação de neurotransmissores e neuropeptídeos nociceptivos, tanto no tecido periférico, quanto no sistema nervoso central, envolvendo neurônios locais e dos sistemas nervosos autônomo e somático, o que justifica uma ação anti-inflamatória e analgésica.

A substância também inibe, de forma dose-dependente, a liberação do glutamato (um aminoácido que age como neurotransmissor excitatório na resposta inflamatória), nos receptores sensoriais periféricos relacionados à percepção da neuralgia do trigêmeo.

Dessa forma, as aplicações de toxina botulínica, em dose e localização apropriadas, alteram os mecanismos da transmissão da dor na neuralgia do trigêmeo, com redução da sensibilização central e dos sintomas da dor neuropática.

Aplicação e efeitos

O procedimento é realizado em regime ambulatorial, com o paciente sob sedação ou anestesia local. Após demarcação da área dolorosa, através do tato, são determinados pontos equidistantes para a aplicação, geralmente seguindo o trajeto por onde o paciente sente a dor da neuralgia do trigêmeo.

As técnicas de injeção variam quanto à disposição na área afetada, podendo ser em linhas quadriculadas, ou dispostas em forma de leque. A administração, geralmente é realizada por via subcutânea ou intradérmica. Em algumas regiões da face, é prudente fazer a aplicação bilateral, no lado afetado e no não afetado, para evitar assimetria.

Uma resposta satisfatória é alcançada em aproximadamente 70 a 100% dos pacientes, com intensidade e frequência média da dor reduzidas em aproximadamente 60 a 100% em 4 semanas após a aplicação.

O tratamento de síndromes dolorosas crônicas com toxina botulínica é seguro e bem tolerado, com baixa incidência de efeitos colaterais e colabora com a redução dos medicamentos adjuvantes durante o seu tempo de ação, que é em torno de 3 a 4 meses por dose.

Toxina botulínica para neuralgia do trigêmeo
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