Neurologista - Dr. Willian Rezende

Diagnóstico da epilepsia: atenção ao coração


Há muito a epilepsia é caracterizada como um distúrbio do cérebro, mas pesquisadores da Case Western Reserve University descobriram que parte das funções do sistema nervoso autônomo atua de forma diferente na epilepsia, durante a ausência de convulsões. Esta descoberta da divisão involuntária do sistema nervoso pode ter implicações para o diagnóstico e o tratamento da epilepsia, além de possibilitar uma melhor compreensão dos casos de morte súbita por epilepsia (SUDEP). A pesquisa foi publicada no Journal of Neurophysiology.

Todos os resultados do estudo registram a variabilidade da frequência cardíaca na epilepsia e do aumento da atividade do sistema nervoso parassimpático durante o sono. Mas os cientistas ainda não sabem se as anormalidades compensam a epilepsia, coincidem com a doença ou fazem parte de sua etiologia.

Especificamente, o sistema nervoso parassimpático modula a respiração e diminui a frequência cardíaca das crianças com epilepsia substancialmente durante o sono, mais do que em crianças saudáveis.

Os pesquisadores também descobriram que várias crianças que tinham sido diagnosticadas como neurologicamente normais – mas tiveram uma modulação forte semelhante e frequências cardíacas baixas – foram posteriormente diagnosticadas com epilepsia. A descoberta sugere que as alterações no sistema nervoso parassimpático precedem o aparecimento da epilepsia em crianças.

A pesquisa

Para chegar a essas conclusões, o grupo de pesquisadores acompanhou os eletrocardiogramas de 91 crianças e adolescentes com epilepsia  diagnosticada e o de 25 crianças neurologicamente normais, durante 30 minutos na fase 2, ou de sono leve. Nenhum indivíduo  teve uma convulsão durante esses intervalos.

Os pesquisadores descobriram que a arritmia sinusal respiratória (ASR) foi mais pronunciada em pacientes com epilepsia e que a sua frequência cardíaca também foi significativamente menor.

Os pesquisadores não encontraram nenhuma diferença na pressão arterial entre os dois grupos de crianças, indicando que o sistema nervoso simpático, que é responsável por respostas de luta-ou-fuga, não está envolvido.

Todas as crianças no estudo fizeram eletroencefalogramas para monitorar sua atividade cerebral durante um período de sono de 30 minutos. Não houve atividade anormal encontrada lá.

Ramificações

As diferenças na arritmia sinusal respiratória, entre crianças com epilepsia e sem a doença, podem ser capazes de identificar os limiares, ou biomarcadores, para diagnosticar aqueles com epilepsia ou em risco de desenvolver a doença.

“Os pesquisadores dizem que as descobertas também levantam a possibilidade de que os medicamentos que ajudam a controlar o sistema nervoso autônomo possam ajudar a  controlar a epilepsia. O estudo pode ser um fator contribuinte fundamental. A frequência cardíaca e o declínio drástico da respiração após uma convulsão são sintomas importantes. Se eles já são baixos, ou se baixaram ainda mais, podem deixar uma criança sem respiração ou sem pulso”, afirma o  neurologista, Willian Rezende do Carmo, CRM-SP 160.140.

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